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Muito além do transporte: conforto, segurança e manejo adequado para pets em deslocamentos

Muito além do transporte: conforto, segurança e manejo adequado para pets em deslocamentos

A relação entre pets e deslocamentos mudou muito nos últimos anos. Hoje, cães e gatos acompanham seus familiares em viagens, passeios, consultas e até mudanças de cidade ou país, tornando o transporte parte frequente da rotina desses animais.

No entanto, para muitos pets, sair do ambiente habitual pode representar uma experiência estressante, marcada por medo, insegurança, excesso de estímulos e desconforto físico. Mais do que cumprir regras de trânsito, transportar um animal de forma adequada significa proteger sua saúde física e emocional. 

Por isso, falar sobre segurança e bem-estar durante o transporte se tornou essencial dentro da medicina veterinária e do manejo comportamental. E para conversar conosco sobre o tema, convidamos a Médica Veterinária, Flávia Tolesani Palata, responsável pela Embarque Pet.

De acordo com ela, o uso de acessórios corretos, estratégias de adaptação e recursos voltados ao conforto pode transformar completamente a experiência dos pets durante viagens curtas ou longas. Nesse contexto, soluções como o Colete Calm Pet e o Oto Calm, da Pet Med, podem ser aliados importantes para promover contenção segura, redução da ansiedade e maior tranquilidade durante deslocamentos.

Acompanhe a entrevista e, ao final da leitura, compartilhe com amigos e familiares.

Pet Med - Nos últimos anos, os pets passaram a participar muito mais da rotina dos seus familiares, inclusive em viagens e deslocamentos. Como você percebe essa mudança no comportamento das famílias em relação aos animais de estimação?

Flávia Tolesani Palata - Essa mudança é muito clara e nós acompanhamos isso de perto há 17 anos. Quando começamos a atuar com viagens, saúde, comportamento e logística de embarque de pets, ainda era comum que muitas famílias considerassem a viagem com animais algo excepcional. Hoje, isso mudou completamente. O pet passou a ocupar um lugar real dentro da família, e as decisões sobre férias, mudança de cidade, mudança de país, trabalho remoto, hospedagem e lazer passaram a incluir esse animal.

Esse movimento acompanha o crescimento do próprio mercado pet. Segundo dados da Abempet, entidade que reúne a antiga Abinpet e o Instituto Pet Brasil, o setor pet brasileiro chegou a um faturamento estimado superior a R$ 75 bilhões em 2024 e manteve projeções de crescimento para 2025, mesmo em um cenário econômico mais desafiador. Esse crescimento mostra que os familiares responsáveis pelos pets estão investindo cada vez mais em saúde, bem-estar, serviços, produtos e qualidade de vida para os animais.

No turismo, esse movimento também ficou evidente. Em 2026, o Ministério do Turismo, em parceria com a UNESCO, lançou uma iniciativa para diagnosticar e mapear o turismo pet friendly no Brasil. Isso é muito importante, porque mostra que o poder público começou a olhar para um comportamento que nós, na prática, já vínhamos observando há anos: as famílias querem viajar com seus pets, mas o setor ainda precisa se adaptar melhor a essa realidade.

Na Embarque Pet, nós vemos isso diariamente. Atendemos famílias que estão se mudando de país, viajando a lazer, retornando ao Brasil ou levando seus pets para reencontros familiares. Para essas pessoas, o animal não é uma “bagagem”. Ele é parte da família. E é exatamente por isso que o transporte precisa ser pensado com planejamento, segurança técnica, cuidado emocional e respeito à individualidade de cada pet.

Pet Med - Apesar dessa aproximação, muitos cães e gatos ainda demonstram medo, ansiedade ou desconforto durante trajetos. Por que viagens e deslocamentos podem ser tão estressantes para alguns pets?

Flávia Tolesani Palata - Viagens e deslocamentos podem ser estressantes porque tiram o animal da previsibilidade. Cães e gatos se orientam muito pela rotina, pelos cheiros, pelos sons, pelo território, pelas pessoas conhecidas e pela sensação de controle do ambiente. Quando colocamos esse animal em um carro, aeroporto, rodoviária, caixa de transporte ou ambiente desconhecido, ele pode interpretar tudo aquilo como ameaça.

Mas é importante dizer que o pet não precisa necessariamente ter sido acostumado desde filhote para conseguir viajar melhor. Animais adultos também podem receber esse preparo. O que muda é a forma como apresentamos essa experiência. Com manejo comportamental, adestramento positivo e orientação adequada, conseguimos mostrar o desconhecido de maneira previsível, gradativa e segura.

Na prática, usamos a lógica de transformar algo ruim ou assustador em algo bom, agradável e controlável. A caixa de transporte, por exemplo, não deve aparecer apenas no dia da viagem. Ela pode ser apresentada antes, dentro de casa, com petiscos, brinquedos, mantas com cheiro familiar e momentos tranquilos. O carro também pode ser apresentado em etapas: primeiro parado, depois ligado, depois em trajetos curtos e positivos.

Esse processo reduz a ansiedade porque o cérebro do animal deixa de interpretar aquela situação como uma ameaça repentina. Quando o pet entende o que está acontecendo e consegue prever parte da experiência, ele tende a responder com menos medo e mais conforto.

Pet Med - Quais sinais costumam indicar que o animal não está confortável ou emocionalmente bem durante um deslocamento?

Flávia Tolesani Palata - Os sinais podem ser físicos e comportamentais. Em cães, observamos com frequência tremedeira, encolhimento, tentativa de fuga, inquietação, choros, latidos repetitivos, salivação excessiva, vômito, diarreia, respiração ofegante, bocejos fora de contexto, lambedura excessiva e postura corporal tensa.

Em gatos, os sinais podem ser mais sutis. Muitos ficam encolhidos, imóveis, com pupilas dilatadas, respiração acelerada, miados intensos ou, ao contrário, ficam completamente quietos, tentando se esconder. Também pode haver salivação, eliminação de urina ou fezes, vômito e reações defensivas.

Um ponto importante é que o deslocamento não deve ser repentino e sem planejamento. Quando o animal só descobre que vai viajar no momento em que é colocado à força na caixa ou no carro, a chance de estresse aumenta muito. O ideal é apresentar o deslocamento em etapas. Assim, quando a grande viagem acontecer, aquele pet já terá passado por experiências menores e previsíveis.

Os familiares também precisam entender que “não reagir” nem sempre significa estar bem. Alguns animais entram em congelamento, uma resposta de medo em que eles parecem parados, mas internamente estão em alto nível de estresse. Por isso, conhecer o comportamento habitual do pet é fundamental.

Pet Med - Além da questão emocional, o transporte inadequado dos pets representa riscos importantes para a segurança no trânsito, podendo colocar em perigo não apenas os animais, mas também os passageiros do veículo, outros motoristas e pedestres. Quais são os principais riscos e situações de perigo que você mais observa relacionados a esse tipo de transporte incorreto?

Flávia Tolesani Palata - No transporte terrestre, o risco mais comum é o animal solto dentro do carro. Um pet sem contenção pode pular no colo do motorista, ir para a região dos pedais, bloquear a visão, tentar sair pela janela ou se assustar com algum estímulo externo. Isso aumenta o risco de distração e acidente.

Também é muito comum vermos animais no colo, principalmente no banco da frente. Existe uma falsa sensação de segurança nessa prática. Em uma freada brusca ou colisão, o tutor não consegue segurar o animal, e esse pet pode ser projetado contra o painel, o para-brisa ou outros passageiros.

No transporte aéreo, os riscos são diferentes, mas igualmente importantes. O maior problema é quando a viagem é tratada apenas como uma reserva de passagem, sem avaliação individual do animal. Animais braquicefálicos, idosos, cardiopatas, respiratórios, obesos, ansiosos ou com histórico de pânico precisam de análise muito cuidadosa. Além disso, há riscos ligados à caixa inadequada, documentação incompleta, manejo incorreto no aeroporto, exposição a calor, atrasos, conexões longas e falta de informação clara.

Outro ponto que vejo como muito importante é que os transportes coletivos, sejam públicos ou privados, ainda não estão totalmente adaptados a essa nova realidade. A demanda por viagens com pets cresceu, mas muitos ônibus, transfers, aplicativos, companhias aéreas, aeroportos, hotéis e serviços turísticos ainda não têm estrutura, treinamento ou protocolos realmente pensados para animais.

Por isso, o movimento do Ministério do Turismo de mapear o turismo pet friendly no Brasil pode ser um divisor de águas. Quando o setor passa a ser estudado oficialmente, ganhamos dados e argumentos para pleitear melhorias reais em infraestrutura, atendimento, segurança e acolhimento das famílias multiespécies.

Pet Med - O que diz a legislação brasileira sobre o transporte de cães e gatos em carros, ônibus e aviões?

Flávia Tolesani Palata - No carro, o Código de Trânsito Brasileiro não determina um único acessório obrigatório para transportar cães e gatos, mas ele proíbe situações que comprometam a direção e a segurança. O artigo 252 proíbe dirigir transportando animais à esquerda do condutor ou entre braços e pernas. Já o artigo 235 trata da condução de pessoas, animais ou carga nas partes externas do veículo, salvo exceções regulamentadas. Ou seja, transportar o animal solto, no colo do motorista ou em posição que interfira na condução pode gerar infração e, mais importante do que isso, risco real de acidente.

Em ônibus e transportes coletivos, as regras variam bastante conforme empresa, estado, município, tipo de linha e exigências sanitárias. Para trânsito nacional de cães e gatos, o MAPA prevê atestado sanitário emitido por médico-veterinário e vacina antirrábica válida quando aplicável. Mas, na prática, ainda existe muita variação entre empresas, o que gera insegurança para os tutores.

No transporte aéreo, a ANAC traz orientações gerais, mas as companhias aéreas continuam tendo regras próprias sobre peso, bolsa, dimensões, modalidade de transporte, cabine, porão, carga viva, raças aceitas e restrições operacionais. A ANAC atualizou as informações sobre transporte de animais e reforça que o passageiro deve consultar previamente a empresa aérea e providenciar a documentação exigida.

Sobre a chamada Lei Joca, é importante esclarecer um ponto que gera muita confusão. O projeto ficou conhecido popularmente como uma mudança que permitiria o transporte de pets maiores na cabine, mas é preciso cuidado para não vender ao tutor a ideia de que todo cão grande já tem direito automático de viajar na cabine. A discussão avançou no Congresso, mas sua aplicação prática ainda depende de regulamentação, adequação operacional e regras claras.

Além disso, mesmo quando a lei fala em conforto e segurança, ainda existem pontos subjetivos. O que é “confortável” para uma companhia aérea pode não ser confortável do ponto de vista médico-veterinário, comportamental ou anatômico. Muitas regras de peso, espaço e bolsa são irreais para vários animais, principalmente quando exigem que o pet permaneça embaixo do assento por longos períodos, com pouca possibilidade de mudança de posição. Esse é um ponto que precisa evoluir muito.

Pet Med - De acordo com as orientações de segurança, por que os animais não devem ser transportados soltos no carro ou no colo dos tutores?

Flávia Tolesani Palata - Animais não devem ser transportados soltos porque, em uma freada brusca ou colisão, eles podem ser projetados dentro do veículo, sofrendo traumas graves e também ferindo os passageiros. Além disso, podem distrair o motorista, interferir nos pedais, bloquear a visão ou tentar sair pela janela.

No colo, o risco também é alto. O tutor acredita que está protegendo o animal, mas em um impacto não consegue segurá-lo. Se o pet estiver no banco da frente, ainda há o risco do airbag, que pode causar lesões graves.

Mas precisamos ser honestos: ainda estamos longe do ideal quando falamos de segurança veicular para pets. Muitas cadeirinhas, bolsas, cintos e acessórios disponíveis no mercado não respeitam plenamente a anatomia dos animais nem foram pensados com o mesmo rigor de segurança usado para humanos. Alguns produtos restringem de forma inadequada, outros deixam o pet instável, e muitos não distribuem bem a força em caso de impacto.

Por isso, além de orientar o uso de contenção, eu acredito que o setor precisa evoluir em design, testes, ergonomia e segurança real. Precisamos de produtos melhor planejados para a anatomia de cães e gatos, considerando tórax, coluna, pescoço, respiração, mobilidade e resposta ao impacto.

Enquanto isso, o mais seguro é avaliar caso a caso: porte, temperamento, tipo de carro, duração da viagem, acessório disponível e adaptação do animal. Segurança não pode ser apenas uma regra genérica. Ela precisa considerar o pet real que está sendo transportado.

Pet Med - Pensando em segurança e bem-estar, de que forma a Embarque Pet orienta seus clientes a conciliar segurança no trânsito, conforto e bem-estar dos pets durante viagens e deslocamentos?

Flávia Tolesani Palata - Na Embarque Pet, nosso trabalho começa antes da viagem. Não esperamos o problema acontecer para agir. Nós fazemos uma avaliação individual do pet, da família e da rota. Consideramos idade, espécie, porte, raça, condição de saúde, histórico comportamental, sensibilidade a sons, tolerância à caixa, tipo de transporte, clima, duração do trajeto, regras da companhia e exigências sanitárias.

A partir disso, desenhamos um plano personalizado. Em uma viagem de carro, por exemplo, podemos orientar adaptação ao veículo, escolha do melhor tipo de contenção, pausas seguras, controle de temperatura, rotina alimentar, hidratação, manejo de enjoo e prevenção de fuga. Em viagens aéreas, avaliamos se o pet tem perfil para cabine, bagagem acompanhada ou carga viva, sempre levando em conta saúde, segurança e bem-estar.

Também cuidamos da documentação, microchip, vacinas, exames, certificados, contato com autoridades e orientação de check-in. Mas nosso diferencial é que não olhamos apenas para a burocracia. Olhamos para o animal como paciente e como membro de uma família.

A conciliação entre segurança e bem-estar acontece quando não improvisamos. Um pet pode estar com a documentação correta e, ainda assim, sofrer muito se não foi preparado. Da mesma forma, pode estar emocionalmente bem, mas ter o embarque negado por falha documental. O nosso papel é unir as duas pontas: técnica veterinária e logística de viagem.

Pet Med - E sobre transportar cães e gatos? Quais adaptações e cuidados específicos você costuma orientar para cada espécie durante viagens?

Flávia Tolesani Palata - Cães e gatos precisam de abordagens diferentes.

Nos cães, avaliamos muito o porte, a anatomia, a respiração, o nível de energia, a tolerância ao movimento, a possibilidade de enjoo, o grau de ansiedade e o vínculo com o tutor. Alguns cães se beneficiam de passeios leves antes do deslocamento, treino com caixa ou cinto, trajetos curtos de adaptação, uso de coletes de compressão leve, objetos familiares e reforço positivo.

Também temos atenção especial com cães braquicefálicos, como pugs, bulldogs, shih-tzus e outros de focinho curto. Eles têm maior risco respiratório, menor tolerância ao calor e podem sofrer mais em ambientes com pouca ventilação ou muita ansiedade. Para esses pacientes, a avaliação veterinária prévia é indispensável.

Já os gatos geralmente exigem um manejo mais ambiental. Eles são territorialistas e muito sensíveis a mudanças. Para muitos gatos, sair de casa já é um evento importante. Por isso, a caixa de transporte precisa ser apresentada como um local seguro, não como uma armadilha. Ela deve ficar disponível em casa, com manta, cheiro familiar, petiscos e entrada voluntária.

Durante o deslocamento, os gatos costumam se beneficiar de menor exposição visual, menos manipulação, ambiente mais silencioso e previsível. Cobrir parcialmente a caixa com tecido leve pode ajudar em alguns casos. Também é fundamental garantir que a caixa seja segura, ventilada e à prova de fuga.

Em cães e gatos, a regra é a mesma: adaptação antes, manejo durante e acolhimento depois. O transporte não termina quando o animal chega ao destino. Ele ainda precisa de tempo para reconhecer o ambiente, descansar e se reorganizar.

Pet Med - Em viagens mais longas, como carro ou avião, quais cuidados extras são fundamentais para preservar a segurança, o conforto e o bem-estar dos animais?

Flávia Tolesani Palata - Em viagens longas, o planejamento precisa ser ainda mais detalhado. Avaliamos a aptidão do animal para viajar, a rota, o tempo total de deslocamento, a temperatura, os horários, as conexões, as paradas, a documentação, as exigências sanitárias e o plano de contingência caso algo mude.

No carro, é importante planejar pausas seguras, sempre com guia e peitoral antes de abrir qualquer porta. Muitos animais fogem justamente em paradas, postos, pedágios ou estacionamentos, porque se assustam e estão em ambiente desconhecido. Também orientamos controle de temperatura, oferta de água, alimentação adequada, prevenção de enjoo e observação de sinais de cansaço, desconforto ou superaquecimento.

No avião, a preparação precisa ser ainda mais rigorosa. A caixa deve respeitar as exigências da companhia, mas também precisa ser funcional para o animal. O pet deve conseguir ficar em pé, virar e deitar de forma compatível com seu tamanho. A documentação deve estar conferida, os prazos precisam ser respeitados e o tutor precisa saber exatamente como proceder no check-in e durante todo o embarque.

Um ponto fundamental é que, em viagens aéreas, a sedação não é indicada. Na prática do transporte aéreo, sedar o animal é contraindicado e pode ser vetado pelas companhias, justamente porque aumenta riscos importantes. A sedação pode alterar pressão, respiração, equilíbrio térmico, resposta neurológica e capacidade do animal de se adaptar ao ambiente. Em voo, esses riscos ficam ainda mais relevantes.

O que pode ser feito, quando necessário, é um conforto medicamentoso muito bem planejado, sem causar sedação, sempre prescrito por médico-veterinário clínico, com uso previamente testado antes da viagem e com resposta previsível naquele paciente. Não se testa medicação no dia do voo. O objetivo não é “apagar” o animal, mas reduzir desconforto, náusea, ansiedade ou hipervigilância de forma segura, monitorada e individualizada.

Também analisamos com cuidado animais idosos, filhotes, gestantes, cardiopatas, respiratórios, obesos, braquicefálicos, ansiosos ou com histórico de convulsão. Para esses pacientes, a decisão sobre viajar, quando viajar e como viajar precisa ser individualizada.

Viagem longa não combina com improviso. O sucesso está nos detalhes.

Pet Med - O Colete Calm Pet, da Pet Med, pode ser utilizado como parte do manejo durante deslocamentos. Como esse tipo de produto auxilia na contenção segura e no conforto dos pets durante o transporte?

Flávia Tolesani Palata - O Colete Calm Pet pode ser um acessório muito interessante dentro do manejo de deslocamentos porque trabalha com a ideia de compressão leve, constante e confortável no corpo do animal. Essa pressão tátil suave pode gerar uma sensação de contenção, acolhimento e segurança, semelhante ao que muitos animais sentem quando são envolvidos por uma manta ou recebem um contato físico calmo e estável.

Do ponto de vista fisiológico, essa pressão estimula receptores táteis da pele e dos tecidos superficiais. Esses estímulos são enviados ao sistema nervoso e podem ajudar na modulação da resposta ao estresse. De forma simples, é como se o corpo recebesse uma informação constante de “contorno” e segurança, ajudando o cérebro a organizar melhor os estímulos externos.

Também podemos relacionar esse efeito à teoria do portão. Muitas vezes pensamos nessa teoria apenas em relação à dor física, mas também podemos ampliar o raciocínio para o desconforto emocional. A pressão tátil agradável pode competir com estímulos desagradáveis, ajudando a reduzir a percepção de ameaça e promovendo maior sensação de conforto.

Além disso, estímulos táteis agradáveis e previsíveis podem favorecer a liberação de substâncias associadas ao bem-estar, como opioides endógenos, que participam da sensação de alívio, conforto e tranquilidade. Por isso, para alguns animais, a compressão leve funciona como um “abraço terapêutico”: não prende de forma negativa, mas oferece uma referência corporal segura.

Em deslocamentos, isso pode ser muito útil para pets que ficam inquietos, inseguros, hipervigilantes, ansiosos ou sensíveis à mudança de ambiente. O colete pode ajudar o animal a se sentir mais contido emocionalmente, mais confortável no corpo e menos reativo aos estímulos ao redor.

Mas é essencial que o uso seja feito com adaptação prévia. O Colete Calm Pet deve ser apresentado em casa, em momentos tranquilos, por períodos curtos e com reforço positivo. O ajuste precisa ser firme, porém confortável, sem comprimir pescoço, axilas, tórax ou dificultar respiração e movimento.

Ele não substitui caixa, cinto, guia, peitoral ou regras de segurança. Ele complementa o manejo, oferecendo conforto físico, apoio emocional e maior previsibilidade sensorial durante o deslocamento.

Pet Med - Além da segurança física, como recursos voltados ao conforto podem ajudar a reduzir medo, ansiedade, agitação e excesso de estímulos durante viagens?

Flávia Tolesani Palata - Os recursos de conforto ajudam porque atuam diretamente na previsibilidade e na regulação sensorial do animal. Durante uma viagem, o pet recebe muitos estímulos ao mesmo tempo: barulho, movimento, cheiros desconhecidos, pessoas, luzes, manipulação, espera, mudanças de temperatura e distância do ambiente familiar.

Quando usamos recursos como colete de compressão leve, abafador auricular, mantas com cheiro conhecido, caixa bem adaptada, feromônios, menor exposição visual e rotina previsível, estamos ajudando o cérebro do animal a organizar melhor essa experiência.

O Colete Calm Pet proporciona conforto corporal por meio da pressão tátil leve e contínua. Ele ajuda o pet a sentir o próprio corpo de forma mais segura, como se tivesse uma referência física constante em meio a tantas mudanças. Isso pode reduzir inquietação, tremores, hipervigilância e insegurança.

Já o Oto Calm atua no conforto sonoro. Muitos cães e gatos sofrem com ruídos intensos ou imprevisíveis durante deslocamentos, como motor, buzinas, anúncios, aeroportos, rodoviárias, portas, carrinhos e vozes. Ao reduzir parte desse impacto auditivo, o abafador ajuda o animal a não ser tão invadido pelos sons do ambiente.

O medo aumenta quando o animal sente que não tem controle e não consegue prever o que vai acontecer. Os produtos de conforto ajudam justamente a reduzir essa sensação de ameaça. Eles não eliminam a necessidade de preparo, mas tornam o manejo mais gentil e eficiente.

Por isso, conforto não é mimo. Conforto é estratégia de segurança emocional. Um animal mais confortável tende a se debater menos, vocalizar menos, tentar fugir menos e responder melhor ao deslocamento. Isso protege o pet, tranquiliza o tutor e torna a viagem muito mais segura para todos.

Pet Med - Muitos pets sofrem bastante com sons, movimentação e mudanças de ambiente durante deslocamentos. Como o Oto Calm, da Pet Med, pode ajudar nesses casos e em quais perfis de pacientes ele costuma ser mais indicado?

Flávia Tolesani Palata - A audição dos cães e gatos é muito mais sensível que a nossa, principalmente para sons de alta frequência. Humanos costumam ouvir até cerca de 20 kHz, enquanto cães podem perceber frequências mais altas, chegando em torno de 45 kHz, e gatos podem alcançar faixas ainda superiores, em torno de 80 kHz, dependendo da referência, idade e condição individual. Isso significa que um ambiente que para nós é apenas barulhento pode ser muito mais intenso para eles.

A orelha dos pets é anatomicamente preparada para captar sons com muita eficiência. O pavilhão auricular direciona o som para o canal auditivo, e muitos cães e gatos conseguem mover as orelhas para localizar melhor a origem do ruído. Em um deslocamento, isso pode ser um problema, porque há sons vindos de todos os lados: motor, buzina, rodas, anúncios, vozes, carrinhos, portas, avião, aeroporto, rodoviária, trânsito e outros estímulos repentinos.

O Oto Calm entra como um recurso de redução sensorial. Ao diminuir a intensidade da entrada sonora e dar uma sensação de proteção na região das orelhas, ele pode ajudar o animal a receber menos estímulos auditivos ao mesmo tempo. Isso favorece a tranquilidade, especialmente nos pets que ficam hipervigilantes, assustados ou agitados com barulho.

Ele costuma ser mais indicado para cães sensíveis a ruídos, animais que sofrem com sons urbanos, pets que se assustam facilmente em aeroportos e carros, pacientes ansiosos, reativos ou que têm dificuldade em ambientes muito movimentados. Também pode ser interessante em animais que já associaram deslocamentos a experiências negativas e precisam de um conjunto de estratégias para reduzir a intensidade da viagem.

Assim como qualquer produto de conforto, o Oto Calm deve ser apresentado antes do deslocamento. O ideal é usar em casa, por períodos curtos, associando a petiscos, carinho e tranquilidade. Forçar o uso no dia da viagem pode gerar o efeito contrário. O segredo é adaptação positiva.

Pet Med - Na prática, como a combinação entre transporte seguro, manejo adequado e produtos voltados ao conforto impacta positivamente a experiência dos pets e também a tranquilidade dos tutores durante as viagens?

Flávia Tolesani Palata - Na prática, a combinação é o que faz a diferença. Um transporte seguro protege o corpo. O manejo adequado protege o comportamento. E os produtos de conforto ajudam a regular o sistema sensorial e emocional do animal.

Quando unimos caixa ou contenção adequada, adaptação prévia, reforço positivo, planejamento da rota, orientação veterinária, Colete Calm Pet, Oto Calm e outros recursos de conforto, criamos uma experiência mais previsível e menos ameaçadora para o pet.

O Colete Calm Pet pode ajudar pela compressão leve, trazendo sensação corporal de segurança, conforto e acolhimento. O Oto Calm pode ajudar reduzindo parte da sobrecarga auditiva, especialmente em ambientes ruidosos. O manejo comportamental positivo ensina o animal a tolerar melhor o deslocamento. E a logística bem planejada evita atrasos, recusas, exposição desnecessária e decisões de última hora.

Para o tutor, isso também muda tudo. A família viaja mais tranquila quando sabe que o pet foi preparado, que os documentos estão corretos, que a caixa está adequada, que os acessórios foram testados e que existe um plano. A ansiedade do tutor diminui, e isso também impacta o animal, porque pets percebem tensão, pressa e insegurança.

Na Embarque Pet, nós acreditamos que viajar com um animal não deve ser uma aposta. Deve ser um processo técnico, individualizado e cuidadoso. Quando segurança, fisiologia, anatomia, comportamento e logística trabalham juntos, a viagem deixa de ser apenas deslocamento e passa a ser uma experiência muito mais segura para toda a família.

Pet Med - Por fim, se achar necessário, use o espaço abaixo para complementar a sua participação acrescentando outras informações que considere importantes e que não tenham sido abordadas durante a entrevista.

Flávia Tolesani Palata - Eu gostaria de reforçar que cada pet é único. Não existe uma regra que sirva igualmente para todos. Um cão pequeno pode sofrer muito em cabine se estiver ansioso. Um gato saudável pode precisar de semanas de adaptação para tolerar a caixa. Um cão grande pode ter uma viagem segura como carga viva quando há planejamento correto, enquanto outro pode não ser um bom candidato naquele momento. Tudo depende de avaliação técnica.

Esse é justamente o trabalho da Embarque Pet. Nós cuidamos da viagem do pet de forma personalizada e individualizada, respeitando as necessidades do animal e da família. Avaliamos saúde, comportamento, documentação, microchip, vacinas, exames, exigências do país de destino, regras das companhias, caixa de transporte, melhor rota, check-in e orientação completa aos tutores.

Nosso compromisso não é apenas “embarcar” um animal. É reduzir riscos, evitar recusas, prevenir sofrimento, organizar a burocracia e preparar a família para que a viagem aconteça com segurança, carinho e tranquilidade.

Atuamos há 17 anos vendo de perto a evolução desse mercado e também os desafios que ainda precisam ser superados. Sabemos que o turismo pet e as viagens com animais vão crescer cada vez mais, mas esse crescimento precisa vir acompanhado de responsabilidade, estrutura e conhecimento técnico.

Por isso, nosso convite é que as famílias não deixem para pensar no pet na última hora. Quanto antes o planejamento começa, maiores são as chances de uma viagem leve, segura e sem improvisos.

Na Embarque Pet, a gente cuida de cada detalhe para que famílias possam permanecer juntas, no Brasil ou no exterior, com o cuidado que seus pets merecem.

 

Por Pauline Machado, jornalista e médica veterinária, pós-graduada em Clínica Médica de Cães e Gatos e mestranda em Ciências Veterinárias na área de Saúde Única pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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