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Qualidade de vida na prática: o olhar da neurologia sobre o cuidado contínuo de pets

Qualidade de vida na prática: o olhar da neurologia sobre o cuidado contínuo de pets

Na Neurologia Veterinária, muitos pacientes precisam de cuidados contínuos, adaptações na rotina e acompanhamento próximo para manter conforto, segurança e qualidade de vida. Alterações neurológicas podem impactar diretamente a mobilidade, o comportamento e a autonomia dos pets, exigindo não apenas tratamento clínico, mas também manejo adequado no dia a dia. Nesse contexto, recursos voltados ao conforto, proteção e redução do estresse se tornam importantes aliados dentro da rotina de recuperação e bem-estar desses animais.

Além do acompanhamento médico, o ambiente, os cuidados domiciliares e o uso de produtos adequados podem fazer grande diferença na rotina de pacientes neurológicos, especialmente em casos de limitações motoras, pós-operatórios e doenças crônicas.

Para falar sobre esse cenário, convidamos a Médica Veterinária Isabela Meire Cardia, neurologista, que compartilha conosco sua experiência sobre manejo, adaptações e qualidade de vida, além de comentar sobre como os produtos da Pet Med podem auxiliar no conforto e suporte desses pacientes ao longo do tratamento.

Aproveite a entrevista e ao final da leitura, compartilhe com amigos e familiares.

Pet Med - Na neurologia veterinária, muitos pacientes precisam de acompanhamento contínuo e adaptações na rotina. Como você define qualidade de vida nesses casos e qual é o papel do manejo diário para manter o bem-estar desses pets?

Isabela Meire Cardia - Para a neurologia, a qualidade de vida diária vai muito além de não possuir nenhuma doença. Pacientes neurológicos convivem com pequenas limitações diariamente. Precisamos pensar em aproximar esse animal ao máximo de uma rotina confortável, segura e funcional, desde qualidade do sono até controle da dor. Pequenas adaptações podem fazer muita diferença no dia a dia desses pacientes, como pisos mais aderentes para facilitar a locomoção, ambientes mais calmos para melhorar o descanso e suporte durante a alimentação e hidratação. Além disso, acompanhar de perto alterações de sono, apetite, mobilidade e comportamento é fundamental para manter o bem-estar e qualidade de vida ao longo da evolução da doença.

Pet Med - Hoje quais são as alterações neurológicas mais comuns que você atende em cães e gatos, e quais sinais os familiares costumam perceber primeiro em casa?

Isabela Meire Cardia - As duas alterações neurológicas mais comuns que atendo hoje são as convulsões e a disfunção cognitiva, popularmente conhecida como Alzheimer canino.

Nos casos de convulsão, os sinais costumam ser mais evidentes, então os familiares geralmente presenciam a crise e procuram rapidamente atendimento especializado. Já na disfunção cognitiva, as alterações tendem a ser mais sutis e progressivas. Os familiares normalmente percebem mudanças no padrão de sono, aumento de vocalização, desorientação e perda da percepção de lugar, fazendo com que o animal urine ou defeque fora do local habitual, por exemplo. Muitas vezes esses animais também vocalizam bastantes por muitos fatores.

Além disso, alguns pacientes podem apresentar redução do apetite, alterações de comportamento e dificuldade locomotora, muitas vezes associada a outras doenças, como alterações de coluna e dor crônica em pacientes idosos.

Pet Med - Nesses casos de limitações motoras, dificuldade de locomoção ou alterações comportamentais, como produtos de suporte e proteção podem auxiliar no conforto e na segurança desses animais no dia a dia?

Isabela Meire Cardia - Pacientes neurológicos frequentemente apresentam limitações motoras, dificuldade de locomoção e redução da mobilidade, o que aumenta significativamente o risco de lesões secundárias. Produtos de suporte e proteção têm um papel importante na prevenção de feridas por pressão, calos de apoio e escaras, alterações que podem evoluir para infecções e complicações clínicas mais graves. Isso é ainda mais relevante em pacientes geriátricos, que normalmente apresentam maior dificuldade de cicatrização, resposta inflamatória reduzida e menor tolerância a tratamentos prolongados e múltiplas medicações.

O uso de roupas protetoras, superfícies adequadas e dispositivos de proteção auxiliam diretamente na preservação da integridade cutânea, conforto e segurança desses animais. Além disso, recursos mais específicos, como coletes compressivos e protetores auditivos, podem contribuir para redução de estímulos, melhora da adaptação ambiental e maior tranquilidade do paciente, auxiliando inclusive no manejo comportamental e, em alguns casos, reduzindo a necessidade de intervenções medicamentosas adicionais. Essa limitação motora muitas vezes vem com incontinência ou perda da noção de local e consequentemente urina no próprio animal e fora do lugar. Isso incomoda não somente a família, mas também o paciente. Por isso, nesses casos, o uso de fralda e protetores se faz necessário, diminuindo o desconforto e o incômodo.

Pet Med - Você utiliza alguns produtos da Pet Med na sua rotina clínica. Quais produtos mais fazem parte dos seus protocolos e em quais situações eles costumam ser indicados?

Isabela Meire Cardia - As roupas pós-cirúrgicas são, sem dúvida, os produtos da Pet Med que mais utilizo na rotina clínica, tanto em pacientes no pós-operatório quanto em animais que precisam de proteção contra os raios solares, diferencial que não podemos esquecer das roupas da marca. Indico bastante em pacientes com pelagem clara, maior sensibilidade solar e também em casos oncológicos, que fazem parte da minha rotina por atuar com medicina endocanabinoide.

Além da proteção física, esses produtos ajudam a reduzir a lambedura excessiva, traumas locais e complicações de cicatrização, proporcionando mais conforto e segurança durante a recuperação.

Outro produto que utilizo e recomendo com frequência é o colete Calm Pet, principalmente em pacientes com ansiedade e alterações comportamentais, algo bastante presente na minha rotina como neurologista. Em alguns casos, ele auxilia na redução de estímulos e promove maior sensação de segurança e tranquilidade, funcionando como um suporte adicional importante dentro do manejo multimodal desses pacientes.

 

Pet Med - Em pacientes com dificuldade de mobilidade, como paraplegia, paresia ou recuperação pós-cirúrgica, qual a importância de recursos como roupas protetoras, colares confortáveis e protetores específicos para evitar lesões secundárias?

Isabela Meire Cardia - Esses pacientes normalmente já fazem uso prolongado de múltiplas medicações, principalmente corticoides, o que aumenta o risco de alterações secundárias. Os idosos têm a capacidade de cicatrização reduzida e a imunidade mais vulnerável, logo, possibilidades de infecções por essas lesões precisam ser evitadas. Por isso, recursos como roupas protetoras têm um papel muito importante na prevenção de lesões e infecções secundárias, reduzindo a necessidade de novas intervenções medicamentosas.

Na prática, isso contribui diretamente para mais conforto, menor sobrecarga ao organismo e melhor qualidade e expectativa de vida desses pacientes.

Pet Med - O estresse também pode impactar bastante pacientes neurológicos. Como você enxerga a importância de produtos voltados ao conforto e redução da ansiedade, como o Calm Pet e o Colar Conforto da Pet Med, durante o tratamento e recuperação?

Isabela Meire Cardia - O colete Calm Pet proporciona uma sensação de abraço e aconchego ao paciente, auxiliando significativamente no controle da ansiedade e do estresse. Em muitos casos, ele ajuda a reduzir a necessidade de intervenções medicamentosas, o que é extremamente importante em pacientes neurológicos, que frequentemente já fazem uso contínuo de muitas medicações e possuem maior sensibilidade a efeitos adversos.

Já o Colar Conforto da Pet Med é um recurso muito versátil dentro da rotina clínica. Além de evitar que o paciente tenha contato com feridas e áreas em cicatrização de forma menos estressante do que os colares tradicionais, ele também pode auxiliar durante exames físicos, manipulações e administração de medicações, proporcionando maior segurança e contenção com menos necessidade do uso de focinheira.

Na prática, ambos os produtos contribuem diretamente para redução do estresse, melhora do conforto e maior bem-estar durante o tratamento e recuperação desses pacientes.

Pet Med - O mês de maio também traz a conscientização do Maio Cinza, relacionado aos tumores cerebrais. Quais sinais podem levantar suspeita de doenças neurológicas mais graves, como neoplasias cerebrais, e quando os familiares devem procurar ajuda especializada?

Isabela Meire Cardia - Sinais como convulsões de início recente, alterações de comportamento, desorientação, perda de equilíbrio, andar em círculos e dificuldade de locomoção podem levantar suspeita para doenças neurológicas mais graves, incluindo neoplasias cerebrais, principalmente em pacientes idosos.

Muitas vezes os sinais começam de forma sutil e progressiva, sendo confundidos com envelhecimento natural. Por isso, qualquer alteração neurológica persistente deve ser avaliada precocemente por um especialista para melhor diagnóstico, controle dos sintomas e qualidade de vida do paciente.

Pet Med - O transporte de pacientes neurológicos exige cuidados especiais. Quais orientações você considera essenciais para garantir mais segurança, conforto e redução do estresse nesses deslocamentos?

Isabela Meire Cardia - O transporte de pacientes neurológicos precisa ser muito bem planejado, sempre com foco em reduzir o máximo possível o estresse e a ansiedade durante o deslocamento. São animais que muitas vezes já possuem predisposição a alterações neurológicas, cardiopatias, síncopes e outras comorbidades que podem ser agravadas por situações de estresse.

Por isso, além de um transporte seguro e confortável, muitas vezes utilizamos medicações ou produtos que auxiliam na redução da ansiedade, proporcionando mais estabilidade ao paciente. O uso de fraldas, roupas protetoras e superfícies adequadas também pode ser importante para evitar desconfortos, episódios de micção involuntária e maior estresse durante o trajeto.

Na prática, pequenas adaptações fazem grande diferença na segurança, conforto e bem-estar desses pacientes.

 

Pet Med - Na prática clínica, quais adaptações ambientais e cuidados domiciliares fazem mais diferença para melhorar a rotina e preservar a autonomia de pets com alterações neurológicas crônicas?

Isabela Meire Cardia - Acredito que uma das principais adaptações ambientais para melhorar a qualidade de vida de pacientes neurológicos seja o uso de pisos antiderrapantes. Esses animais frequentemente apresentam dificuldade locomotora em superfícies lisas, e conseguir se movimentar com segurança impacta diretamente autonomia, conforto e recuperação. Movimento gera qualidade de vida, e o paciente precisa conseguir se locomover para manter a rotina e o bem-estar.

Outro ponto extremamente importante é a qualidade do sono. Isso pode envolver tanto manejo medicamentoso quanto adaptações ambientais, mantendo o paciente em um ambiente mais calmo, escuro e confortável durante a noite.

Em alguns casos, o uso de fraldas também auxilia bastante, principalmente em pacientes com perda de controle urinário, evitando desconforto, umidade e interrupções do sono. Muitas vezes, inclusive, utilizamos medicações para promover maior relaxamento e descanso, porque o sono também faz parte do processo de recuperação.

Além disso, manter uma alimentação e hidratação adequadas é fundamental. Precisamos garantir que esse paciente esteja conseguindo se alimentar e ingerir água de forma consciente e segura, já que alterações neurológicas podem comprometer diretamente essas funções.

 

Pet Med - Para familiares que acabaram de receber um diagnóstico neurológico do seu pet, qual mensagem você gostaria de deixar sobre cuidado contínuo, adaptação e possibilidades de qualidade de vida ao longo do tratamento?

Isabela Meire Cardia - Alterações neurológicas não representam um fim. Na maioria das vezes, esses pacientes precisam de tratamento contínuo, adaptações e cuidado individualizado. Hoje, com medicina integrativa, associando recursos como acupuntura, fisioterapia, ozonioterapia e medicina endocanabinoide, conseguimos proporcionar excelente qualidade de vida com menos sobrecarga medicamentosa.

Também é importante não focar o tratamento apenas no uso excessivo de corticoides e anti-inflamatórios, que muitas vezes podem ser substituídos ou associados a terapias menos agressivas ao organismo, mantendo excelente eficácia e mais qualidade de vida ao paciente.

Pet Med - Por fim, se achar necessário, use o espaço abaixo para complementar a sua participação acrescentando outras informações que entenda como importantes e não tenham sido abordadas durante a entrevista.

Isabela Meire Cardia - A neurologia veterinária exige um olhar muito individualizado e contínuo para cada paciente. Muitas vezes, pequenas adaptações no ambiente, no manejo diário e no controle do estresse impactam tanto quanto o tratamento medicamentoso na qualidade de vida desses animais. Por isso, é muito importante olhar o paciente como um todo e não apenas o cérebro.

Também é importante que os familiares procurem acompanhamento com um especialista em neurologia veterinária, porque são casos complexos, que exigem avaliação específica, manejo individualizado e acompanhamento contínuo. Quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento adequado, maiores as chances de controle clínico e qualidade de vida.

Gosto sempre de citar que, o dia em que o mundo passar a usar mais THC -  (Tetrahidrocanabinol), o principal composto psicoativo da planta Cannabis sativa, e menos anti-inflamatório, teremos seres vivos vivendo mais e com mais qualidade de vida. Molécula essa tão pouco usada e com tanta função.

Além disso, acredito na importância de um acompanhamento mais integrativo e menos focado exclusivamente no uso excessivo de corticoides e medicações agressivas, principalmente em pacientes crônicos e geriátricos.

Hoje temos recursos complementares que auxiliam muito no controle da dor, mobilidade, ansiedade e conforto, permitindo tratamentos mais equilibrados e maior bem-estar ao paciente.

 

Por Pauline Machado, jornalista e médica veterinária, pós-graduada em Clínica Médica de Cães e Gatos e mestranda em Ciências Veterinárias na área de Saúde Única pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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