Alergias de pele são uma das queixas mais comuns em consultórios veterinários — cães e gatos muitas vezes chegam coçando, com regiões da pele irritadas ou dermatites que se repetem. Para identificar com precisão a que o pet está reagindo, é possível recorrer aos testes alérgicos, que funcionam como um 'mapa' que ajudam a identificar sensibilizações específicas e a guiar um plano de tratamento que realmente funcione para aquele pet.
Durante o período em que o animal passa pela fase de testes alérgicos, ele frequentemente é submetido a procedimentos cutâneos e manejo de áreas sensíveis, o que exige cuidado extra, pois, durante esses testes ou após uma biópsia, o animal não pode lamber nem coçar a região, para não atrapalhar o resultado ou machucar ainda mais a pele sensível. É aí que o cuidado precisa ser redobrado.
Nesse contexto, o uso de roupas pós‑cirúrgicas com tecnologia avançada, como as desenvolvidas pela Pet Med — que combinam tecidos respiráveis, proteção UV, ação antimicrobiana e conforto anatômico — oferece uma maneira muito mais confortável e segura de proteger a pele do pet e permitir que os testes sejam realizados com mais conforto, menos estresse e melhores resultados clínicos. É uma forma de garantir que o tratamento siga firme, com mais qualidade de vida para o pet.
Vamos entender melhor esse assunto com a médica veterinária Luiza Quintela, que é pós-graduanda em Dermatologia e Alergologia pela Anclivepa-SP.
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Entrevista:
Pet Med - Para iniciarmos, por favor, nos explique em que casos é recomendado realizar o teste alérgico em um cão ou em um gato.
Luiza Quintela - Os testes alérgicos como o Prick e o Patch test são exames de triagem que realizamos em cães com o intuito de entender ao que eles são sensibilizados, para criar um protocolo de imunoterapia para o paciente. No caso do patch, realizamos para tentar entender a quais alimentos o paciente reage, para excluir ele da dieta alérgica ou montar uma nova dieta.
No Brasil não utilizamos a técnica em gatos, usamos outros métodos quando precisamos introduzir a imunoterapia no paciente.
Pet Med - Em quais situações a recomendação é pelo teste intradérmico e em quais é recomendado o sorológico?
Luiza Quintela - No Brasil não realizamos o intradérmico, utilizamos o Prick test que é um teste de puntura. Realizamos o sorológico quando por algum motivo o Prick seja inviável e também utilizamos o sorológico no caso dos gatos. O Prick nos possibilita ver uma reação que demonstra a presença de IgE na pele, já o sorológico está no sangue, o que pode haver muito falso positivo, então, demanda muita interpretação e conhecimento do Médico Veterinário para determinar o que faz sentido em uma imunoterapia para esse paciente.
Pet Med - Quais são as principais diferenças técnicas entre o teste intradérmico e o sorológico?
Luiza Quintela - O teste intradérmico está observando a resposta da pele daquele paciente após a inoculação de alérgenos específicos. Ele reflete a reatividade cutânea imediata, mediada principalmente por IgE ligada a mastócitos, com formação de pápulas.
No sorológico está medindo níveis de IgE específica circulante no sangue contra determinados alérgenos. Ou seja, ele não avalia diretamente a resposta clínica do paciente, mas sim, a sensibilização imunológica. E isso é uma diferença importante, porque nem toda sensibilização se traduz em doença clínica.
Pet Med - Na prática, como cada um desses testes são aplicados?
Luiza Quintela - O Prick Test é um teste cutâneo, mas bem mais superficial do que o intradérmico. Eu aplico uma gota do alérgeno na pele e faço uma leve pintura com uma lanceta, só o suficiente para permitir o contato do alérgeno com a epiderme. Depois de cerca de 15 a 20 minutos, avalio a formação de pápulas, sempre comparando com os controles positivo e negativo. Ele é menos invasivo, normalmente não precisa de sedação e é mais rápido de executar.
Já o teste sorológico continua sendo o mais simples do ponto de vista prático: eu faço a coleta de sangue e envio para um laboratório que vai dosar IgE específica contra diferentes alérgenos. Não depende da condição da pele e não exige sedação. Usamos para fazer parte de uma interpretação associada ao histórico e clínica do paciente.
Pet Med - Sabemos que a interpretação clínica é soberana. Os resultados desses testes costumam ser definitivos ou existem fatores que podem influenciar falsos positivos ou negativos?
Luiza Quintela - Eles têm alto valor preditivo negativo, ou seja, confiamos mais nos resultados negativos e os positivos precisamos da clínica do paciente para confirmar com certeza.
Pet Med - Na sua rotina, com que frequência os resultados dos testes mudam o plano de tratamento ou a escolha da imunoterapia para o pet?
Luiza Quintela - Na minha rotina, eu costumo dizer que o teste alérgico não muda o diagnóstico, ele muda o direcionamento do tratamento. Então, quando eu indico o teste, eu já tenho um paciente com diagnóstico clínico bem estabelecido de dermatite atópica. O que o resultado vai fazer é refinar o meu próximo passo, principalmente quando eu estou pensando em imunoterapia. Agora, se a gente pensar no manejo global do paciente, no controle de prurido, no tratamento de infecções secundárias, no ajuste de barreira cutânea, na nutrição, isso continua sendo guiado muito mais pela clínica do que pelo teste. Ou seja, o teste não substitui o raciocínio clínico, ele complementa.
Pet Med - O prurido impacta diretamente na qualidade de vida dos animais. Quais são as principais diferenças que você observa na manifestação dessas alergias e na forma de reagir entre cães e gatos?
Luiza Quintela - Nos cães, o prurido costuma ser mais “clássico” e fácil de reconhecer. É aquele animal que coça, lambe, morde, esfrega, e muitas vezes os familiares percebem rapidamente. As lesões também tendem a seguir um padrão mais previsível: face, orelhas, patas, abdômen ventral e região perianal. Além disso, é muito comum a gente ver infecções secundárias associadas, como piodermites e dermatites por Malassezia, que acabam intensificando ainda mais o quadro.
Já nos gatos, o desafio é outro. O prurido pode ser muito mais sutil ou até mascarado por comportamento. Muitas vezes os familiares não veem o gato se coçando, mas percebe consequências: alopecia por lambedura, lesões auto induzidas, crostas, ou até quadros como dermatite miliar, úlceras indolentes e placas eosinofílicas. E tem um ponto importante: o gato não necessariamente “coça” como o cão, ele lambe, arranca pelo, se automutila de forma mais silenciosa.
Pet Med - Durante o período de realização dos testes, quais são os maiores desafios no manejo do paciente para garantir que os resultados não sejam mascarados ou prejudicados?
Luiza Quintela - O principal desafio é conseguir suspender ou ajustar medicações sem perder o controle do prurido. Muitos desses pacientes chegam em crise, extremamente desconfortáveis, e a gente sabe que drogas como corticoides e até alguns imunomoduladores podem interferir diretamente nos testes, principalmente nos cutâneos, por isso, o paciente precisa ficar tempos sem a administração de cada um desses medicamentos para ter uma melhor resposta ao teste. Então, fica aquele equilíbrio delicado: eu preciso “limpar” o organismo para testar, mas sem deixar o paciente exposto a uma nova crise.
Outro ponto importante é o controle de infecções secundárias. Um animal com piodermite ou dermatite por Malassezia ativa pode ter a resposta cutânea completamente alterada. Então, antes de pensar em testar, eu preciso estabilizar a pele e isso, às vezes, leva tempo.
Também tem a questão da barreira cutânea e inflamação ativa. Uma pele muito inflamada pode reagir de forma exagerada ou inespecífica, o que dificulta a interpretação, especialmente em testes cutâneos.
Pet Med - Por quais motivos os pets devem fazer uso da roupa protetora durante o período de realização dos testes?
Luiza Quintela - Precisam da roupa Protetora principalmente por conta do Patch Test, pois, faz parte dele deixar o paciente 48h com os extratos alérgicos adesivados ao corpo e para isso contamos com a proteção da roupa. Com as da Pet Med, especificamente, o resultado tem sido ótimo e mantido muito bem os adesivos intactos para a leitura adequada. Com o conforto que ela trás o paciente passa esse momento de aguardo da leitura do Patch Test com muito mais segurança e conforto.
Pet Med - Para evitar que o pet se lamba ou coce a área testada, em quais casos você prescreve o uso de roupas protetoras tecnológicas e como elas auxiliam especificamente o paciente que está com a pele sensibilizada pelos testes?
Luiza Quintela - Todos os pacientes que realizam o teste recebem o informativo da necessidade da roupa Protetora. Tanto para viabilidade do Patch Test quanto também para evitar que a região onde foi feito o Prick Test incomode a ponto do paciente se coçar e lesionar no período imediato pós teste.
Pet Med - Para finalizar, por favor nos explique como essas tecnologias como o Dry Light (secagem rápida) e ação antimicrobiana trazem conforto e benefícios para a integridade da barreira cutânea do paciente alérgico?
Luiza Quintela - Na rotina do paciente alérgico, tudo que envolve cuidado com a pele precisa respeitar um princípio básico: não agredir ainda mais uma barreira que já está comprometida. Tecnologias como o Dry Light, com secagem rápida, trazem um benefício muito prático e relevante, mantém o paciente sempre seco e sabemos que a umidade em pacientes alérgicos pode ser um fator que precisamos ficar atentos, e associado a tecnologia antimicrobiana, conseguimos também manter esse paciente livre de cheiros indesejados. São tecnologias importantes e muito valorosas quando se trata, principalmente, de pacientes alérgicos.
Por Pauline Machado - jornalista e médica veterinária pós-graduada em Clínica Médica de cães e gatos e mestranda em Ciências Veterinárias na área de Saúde Única pela Universidade Federal do Paraná - UFPR.






