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Manejo e qualidade de vida em pets com mobilidade reduzida

Manejo e qualidade de vida em pets com mobilidade reduzida

O diagnóstico de uma condição de mobilidade reduzida, como a paraplegia, marca o início de uma nova jornada de adaptação para o pet e sua família. No entanto, o suporte veterinário não termina no consultório, ele ganha vida nos pequenos gestos e na organização da rotina em casa.

Por isso, hoje voltamos o olhar para a rotina de pets com necessidades especiais, entendendo como o uso de acessórios adequados pode impactar diretamente sua qualidade de vida. Mais do que oferecer suporte físico, esses recursos facilitam os cuidados do dia a dia, contribuindo para o conforto, a higiene e a proteção da pele, e tornando a convivência mais segura, prática e equilibrada para todos os envolvidos.

Para entender melhor essa realidade na prática, conversamos com Médica Veterinária, Stella Helena Sakata, especialista em Fisiatria e Medicina Hiperbárica, responsável pelas unidades da Stella FisioVet – Fisiatria e Reabilitação Veterinária, na cidade de São Paulo e presidente da Associação Nacional de Fisioterapia Veterinária – ANFIVET.

Também conversamos com a Suiane Torres, responsável por três cães com deficiência - Dafne, de 10 anos, paraplégica em decorrência de atropelamento, e Julie, de 5 anos, e Karu, de 6 anos, ambos tetraplégicos em decorrência de sequelas de cinomose, que compartilha conosco sua experiência familiar.

Ao final da leitura, compartilhe com seus amigos e familiares!

Rotina higiênica

Pet Med - Quando um pet recebe o diagnóstico de mobilidade reduzida, quais são as primeiras mudanças que a família precisa observar para garantir que a nova rotina de vida do animal seja saudável e equilibrada?

Stella Sakata - Quando um pet recebe o diagnóstico de mobilidade reduzida, a família precisa entender que ele passa a depender de cuidados assistidos contínuos. A nova rotina deve incluir mudanças frequentes de posição, higiene rigorosa, inspeção diária da pele e adaptação do ambiente. Paralelamente, é essencial iniciar precocemente um plano de reabilitação que inclua exercícios terapêuticos, hidroesteira, neuro reabilitação, além de tecnologias como a oxigenoterapia hiperbárica e o Sistema de Super Indução Magnética (SIS), promovendo recuperação funcional e prevenção de complicações.

Pet Med - Além da paraplegia, que outras condições ou tipos de mobilidade reduzida podem acometer cães e gatos (como doenças degenerativas, traumas ou questões da idade) e que exigem uma atenção especial com a higiene?

Stella Sakata - Diversas condições podem levar à mobilidade reduzida, como doenças neurológicas, traumas, doenças degenerativas, osteoartrose avançada e envelhecimento. Nessas situações, a reabilitação multimodal é fundamental, combinando exercícios terapêuticos, hidroesteira, neuro reabilitação, SIS e câmara hiperbárica.

 

Pet Med - Quais são as principais complicações de pele, como assaduras e lesões por atrito, que costumam surgir em pets que dependem do uso contínuo de fraldas e se locomovem com dificuldade ou se arrastando?

Stella Sakata - As principais complicações incluem dermatites por umidade, lesões por atrito, úlceras de pressão e infecções secundárias. A abordagem ideal associa manejo adequado e terapias como a oxigenoterapia hiperbárica.

 

Pet Med - De que maneira a umidade acumulada e o deslocamento da fralda descartável podem contribuir para o surgimento de infecções urinárias, feridas na pele e outros malefícios à saúde do pet?

Stella Sakata - A umidade e o deslocamento da fralda favorecem infecções e lesões. Exercícios assistidos e hidroesteira ajudam a reduzir pressão contínua.

 

Suporte anatômico

Pet Med - Como o uso de acessórios que auxiliam na fixação, como o Protetor para Fraldas, ajuda a manter a higiene sem causar pressão excessiva ou atrapalhar os movimentos que o pet ainda preserva?

Stella Sakata - O uso de acessórios para fixação de fraldas mantém a higiene adequada e permite participação em exercícios terapêuticos.

Pet Med - Qual é a importância de contar com acessórios desenvolvidos com materiais que permitam a ventilação e possuam um design que acompanhe a anatomia do animal, auxiliando a evitar o abafamento da região pélvica?

Stella Sakata - Materiais respiráveis evitam abafamento e complementam terapias como a hiperbárica.

Pet Med - Como o ajuste adequado do protetor auxilia para que a proteção permaneça estável mesmo durante os momentos de descanso ou interação com a família?

Stella Sakata - O ajuste adequado garante estabilidade e segurança durante a reabilitação.

 

Cuidado contínuo

Pet Med - De que forma o uso de acessórios que trazem praticidade às tarefas diárias ajuda os familiares responsáveis a manter a constância nos cuidados, contribuindo para evitar o desgaste emocional de todos os envolvidos?

Stella Sakata - A praticidade facilita a adesão da família e potencializa os resultados das terapias.

Pet Med - Para encerrar, qual a importância de o médico veterinário orientar não apenas o tratamento clínico, mas também o uso de itens que busquem trazer mais equilíbrio e conforto para o pet e para quem cuida dele?

Stella Sakata - O médico veterinário deve atuar de forma global, associando reabilitação, manejo domiciliar e tecnologias como hiperbárica e SIS - Sistema de Super Indução Magnética,  que utiliza campos eletromagnéticos para estimular a musculatura e auxiliar na reabilitação neurológica.

 

EXPERIÊNCIA FAMILIAR

Para além das orientações clínicas, é dentro de casa que a rotina com pets com mobilidade reduzida realmente ganha forma, nos detalhes, nas adaptações e no cuidado diário que se constrói com paciência e afeto.

É neste cenário que a vivência dos familiares revela, de maneira sensível e concreta, o impacto que escolhas adequadas podem ter na qualidade de vida desses animais.

A história da Suiane Torres traduz exatamente isso. Responsável por três cães com deficiência - Dafne, de 10 anos, paraplégica em decorrência de atropelamento, e Julie, de 5 anos, e Karu, de 6 anos, ambos tetraplégicos em decorrência de sequelas de cinomose, ela compartilha uma rotina marcada por dedicação, adaptação e, principalmente, pelo compromisso em proporcionar conforto e autonomia.

No dia a dia, o uso das roupinhas, especialmente pela Dafne, que utiliza continuamente 24 horas por dia, e pelos outros dois em momentos específicos durante passeios, tornou-se parte essencial desse cuidado, trazendo mais segurança, liberdade de movimento e tranquilidade para toda a família.

Acompanhe o relato!

Desafios

Pet Med - Quais foram os primeiros desafios que surgiram para manter a qualidade de vida e a higiene dos seus pets dentro de casa?

Eu tenho três cães com deficiência. Uma paraplégica e dois tetraplégicos. Adotei todos já com a deficiência, então não vivi o processo de mudança ou descoberta.

Em relação à higiene e desafios, acredito que os maiores desafios estão em aprender a esvaziar a bexiga deles, porque cada um tem um jeitinho. E no caso da Dafne, a paraplégica, como segurar a fraldinha dela. Além de esvaziar a bexiga, ela necessita de fraldas por ser incontinente urinária. E no arrasto, a fralda vai escorregando até cair, então, encontrar meios seguros e confortáveis de manter a fraldinha no lugar, não foi fácil.

 

 

Adaptação

Pet Med - Como foi o comportamento deles nos primeiros dias de uso do protetor de fraldas da Pet Med e como você percebeu que eles se sentiam à vontade vestindo o acessório durante a rotina?

Como já estão acostumados a usar fraldas, o protetor diário não demandou tanta adaptação. Já a Dafne usa as roupinhas cirúrgicas no auxílio de segurar a fralda, então, demandou um pouco mais de paciência porque incomodava muito no começo. Ela coçava com o dentinho algumas partes.

Autonomia

Pet Med - Como você percebe a disposição deles para interagir e se deslocar pela casa agora que o protetor auxilia a manter a fralda no lugar, sem atrapalhar os movimentos que eles ainda preservam e a troca de posições?

Apenas a Dafne se desloca sozinha. Dafne corre, sobe no sofá, brinca, faz tudo do jeitinho dela. E eu fico tranquila porque sei que as roupinhas vão segurar a fralda e deixá-la segura.

 

Tranquilidade

Pet Med - De que forma a redução da preocupação com a higiene da casa contribui para que vocês consigam aproveitar mais os momentos de lazer e carinho com eles?

Nossa, é libertador. Acho que mais para mim do que para ela. Antes ela se movimentava e lá estava eu atrás puxando a fralda pra ela não se sujar, não sujar o sofá, tapete, etc… Agora ela vai para onde quiser sem que eu precise estar perto ou de olho. Ela ganhou autonomia e eu ganhei paz.

 

O momento do cuidado

Pet Med - Como você descreveria a facilidade de colocar e retirar o protetor durante a higiene diária e de que forma essa agilidade auxilia a manter o bem-estar de todos no momento do cuidado?

Tanto o uso do protetor quanto da roupinha é realizado de forma muito natural e rápida. Não demanda muito de mim e nem deles. Não machuca, não gera desconforto. É muito tranquilo.

 

A percepção geral

Pet Med - Olhando para essa jornada de cuidado contínuo, qual é a importância de escolher soluções que priorizem o conforto e a qualidade de vida deles, permitindo que o foco da família esteja no cuidado, no convívio e no afeto?

As pessoas sempre me questionam sobre o trabalho que eles dão ou se eles são cães felizes. E eu sempre falo que a deficiência não é uma definição do que eles são e nem um limitador. Eles precisam apenas de meios de se locomoverem, acessibilidade e produtos que permitam que eles vivam com qualidade e liberdade. E, graças a Deus, eu tenho encontrado todos os meios para permitir essa qualidade para eles e para mim também!

 

Por Pauline Machado, jornalista e médica veterinária, pós-graduada em Clínica Médica de Cães e Gatos e mestranda em Ciências Veterinárias na área de Saúde Única pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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