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Agosto Dourado: como cuidar da mãe lactante com carinho e segurança: quais acessórios são aliados no pós-parto?

Agosto Dourado: como cuidar da mãe lactante com carinho e segurança: quais acessórios são aliados no pós-parto?

Por Pauline Machado

Agosto é o mês dedicado à conscientização sobre a importância da amamentação, e no universo pet esse tema também merece atenção especial por meio da Campanha Agosto Dourado.

O período de lactação é um momento delicado para a mãe, que precisa de cuidados redobrados para se recuperar do parto e, ao mesmo tempo, oferecer o melhor para seus filhotes. Por isso, cuidar bem da cadela ou gata lactante significa garantir não apenas a saúde dela, mas também o desenvolvimento equilibrado da ninhada.

Por isso, conversamos com a Médica Veterinária, Ana Carolina Hoffmann, que nos explicou como proporcionar mais conforto e qualidade de vida para as mãeszinhas neste período.

Acompanhe a entrevista e, ao final, compartilhe com seus amigos e familiares.

Pet Med - Qual o objetivo da Campanha Agosto Dourado na Medicina Veterinária em relação à saúde das mães e filhotes de cães e gatos?

Ana Carolina Hoffmann  Na Medicina Veterinária, o Agosto Dourado tem como objetivo principal a promoção e valorização da amamentação de filhotes, destacando a importância do leite materno para cães, gatos e outros animais domésticos.

A cor dourada simboliza o “padrão ouro” da nutrição, que é o leite materno, considerado o alimento mais completo e seguro para os recém-nascidos.

E na prática, é um mês de campanhas educativas para familiares e profissionais, reforçando que o leite materno é fundamental para a imunidade, nutrição e desenvolvimento comportamental dos filhotes.

 

Pet Med - Quais os principais cuidados que a família deve ter com a cadela ou gata no pós-parto imediato, o que não pode faltar nos primeiros dias?

Ana Carolina Hoffmann - Os cuidados no Pós-Parto Imediato, ou seja, nos primeiros dias são com o ambiente que tem que ser tranquilo e limpo, com local aquecido, silencioso e seguro, sem excesso de visitas. A forração limpa e seca como toalhas, mantas ou tapetes higiênicos.

Sempre dar atenção à mãe, oferecer água fresca e alimentação de boa qualidade, de preferência ração de filhotes que tem alta energia e maior quantidade de proteínas.

É importante permitir que a fêmea descanse e amamente sem interrupções, e sempre observar se a mãe tem secreção vaginal que pode ser escura/avermelhada nos primeiros dias, mas nunca com mau odor ou pús.

 

Os filhotes também devem ser monitorados para garantir que todos estejam mamando o colostro nas primeiras 24 horas. É fundamental mantê-los  aquecidos, sem a exposição de correntes de ar e observar ganho de peso diário, que é sinal de boa amamentação.

Também não pode faltar a higiene e o conforto, então sempre trocar forração quando estiver úmida ou suja.

Evite dar banho na mãe nos primeiros dias, apenas higienizar com pano úmido se necessário.

Deve ter acompanhamento de um veterinário para avaliar a mãe e os filhotes nas primeiras 48 horas, descartando retenção de placenta, mastite, hipocalcemia, entre outras complicações.

 

Em sinais de alerta como febre, apatia ou recusa alimentar da mãe, secreção vaginal com mau cheiro ou muito sangue, as mamas endurecidas, doloridas ou com secreção anormal, os familiares devem sempre procurar o veterinário.

Da mesma forma se os filhotes estiverem chorando com muita frequência ou mamando pouco ou não ganhando peso, e, também, quando o filhote estiver frio, fraco ou com dificuldade respiratória.

 

 

Pet Med - Problemas como mastite, tetas endurecidas, leite escasso ou em excesso são comuns? Como os familiares podem identificar precocemente e o que se fazer nesses casos?

Ana Carolina Hoffmann - A mastite é uma inflamação ou infeção da glândula mamária, e seus sinais precoces são as mamas quentes, avermelhadas, doloridas, inchadas. A mãe evita que filhotes mamem e pode haver secreção anormal de coloração amarelada, sanguinolenta ou com pus.

O que se deve fazer é separar os filhotes temporariamente daquela teta e ordenhar suavemente para aliviar pressão, pode também aplicar compressa morna e procurar atendimento veterinário para tratamento.

Quando as glândulas estão endurecidas os primeiros sinais são a teta “dura como pedra”, sem calor excessivo, mas desconfortável. O filhote pode ter dificuldade de pegar a teta, então deve-se estimular mamada frequente, alternar filhotes entre as mamas, fazer massagens suaves, ordenhar de leve se necessário e se persistir ou piorar pode haver risco de se tornar uma mastite e ser necessário a intervenção veterinária.

Quando a mãe está com leite escasso, os filhotes choram com frequência, parecem famintos, não ganham peso e para garantir uma boa nutrição, deve-se dar água à vontade e ambiente tranquilo para a mãe, tendo que suplementar os filhotes com fórmula específica para cães/gatos, sempre sob orientação veterinária.

Quando a mãe tem leite em excesso, as mamas ficam muito cheias, os filhotes ficam engasgando ou regurgitando após mamar, podem ter diarreia amarelada. Deve-se retirar um pouco do leite com ordenha manual antes de amamentar e dividir a mamada em intervalos menores, observando se há sinais de desconforto nos filhotes.

 

 

Pet Med - O que pode levar a mãe a rejeitar os filhotes, ou apresentar comportamento como irritabilidade ou apatia? Quais os sinais que indicam que a mãe está estressada ou com dor?

Ana Carolina Hoffmann - As causas mais comuns da rejeição ou irritabilidade da mãe são a dor pós-parto de um parto difícil ou cesariana recente, as lesões de parto como as lacerações, os hematomas, ou a inflamação uterina, a mastite que é a inflamação ou infecção das glândulas mamárias, que é muito dolorosa. Um fator importante é o estresse de lugares muito barulhentos, movimentados ou com outros animais por perto, as mudanças recentes de ambiente, como ficar trocando de lugar.

O que geralmente pode causar a fadiga ou apatia é a exaustão física de um parto longo ou intenso, a má alimentação ou desidratação, afetando energia e sua disposição.

Pode também ser causado por doença ou desconforto geral como febre, infecção uterina pós-parto, problemas digestivos ou dor abdominal. E em alguns casos as condições crônicas não relacionadas ao parto também podem piorar o comportamento materno.

A mãezinha pode também ter problemas hormonais como a falta de prolactina ou outras alterações hormonais que interferem no vínculo materno.

Os sinais de que a mãe está estressada ou com dor podem ser comportamentais, afastando os filhotes ou os evitando, rosnando ou os tenta morder quando alguém se aproxima. A mãezinha fica inquieta, anda de um lado para outro ou não se deita confortavelmente. Pode também dormir excessivamente ou não interagir com os filhotes.

A dor pode se caracterizar por lambedura excessiva de áreas específicas, tremores, respiração acelerada ou gemidos.

A mãezinha algumas vezes tem diminuição do apetite ou recusa de água e pode ter agressividade.

 

 

Pet Med - Como adaptar o ambiente para que a mãe se sinta acolhida e segura para cuidar dos filhotes?

Ana Carolina Hoffmann - Para adaptar o ambiente é necessário procurar um local tranquilo e seguro como um cômodo silencioso, longe de barulho, circulação de pessoas e outros animais. Evite passagem de pessoas, visitas excessivas e manipulação dos filhotes nos primeiros dias. 

É indicado fazer um ninho com uma caixa ou cama com laterais baixas o suficiente para a mãe entrar, mas altas para os filhotes não escaparem, e forrar com panos limpos, macios e de fácil troca, evitando tapetes felpudos onde os filhotes possam se prender. O local deve se manter sempre seco e aquecido com controle de temperatura de 28 a 30°C, pois os filhotes não conseguem regular a temperatura nos primeiros dias e depois baixar para até 24°C. Para esses casos, pode-se usar lâmpada infravermelha ou bolsa térmica envolvida em toalha, sempre deixando uma área sem aquecimento para a mãe escolher.

É importante a mãe ter acesso à água fresca e ração de boa qualidade ao lado do ninho, para evitar que ela precise se afastar dos filhotes. Os comedouros devem estar sempre limpos e cheios, assim como tapete higiênico próximo para que ela possa fazer xixi e cocô. 

No caso das gatas, deixe a caixa de areia próxima. Mas não dentro do ninho, para evitar contaminação.

Evite manusear os filhotes nos primeiros dias, a não ser quando necessário, não forçar a mãe a permanecer com os filhotes, pois, o ideal é que ela escolha em que momentos ficará com eles.

Deixe o ninho em local um pouco escuro, cobrindo parcialmente a caixa com um pano, proporcionando à mãezinha ter uma rotina estável, evitando trocas de ambiente nos primeiros 20 dias e manter horários de alimentação e limpeza.

 

 

Pet Med - Porque o leite materno é tão importante para os filhotes nas primeiras semanas de vida? Até quando, idealmente, os filhotes devem amamentar?

Ana Carolina Hoffmann - Nas primeiras 24 a 48 horas o leite materno se chama colostro e é um alimento rico em anticorpos maternos, as imunoglobulinas, que protegem os filhotes contra doenças até que o sistema imunológico amadureça. Nele contém fatores de crescimento, vitaminas e enzimas que ajudam no desenvolvimento intestinal.

É um alimento praticamente insubstituível, se o filhote não mama colostro nas primeiras horas, fica muito mais vulnerável a infecções.

O leite materno tem o equilíbrio ideal de proteínas, gorduras e carboidratos para cada espécie (cão ou gato), é facilmente digerido, garantindo crescimento saudável, mantém o desenvolvimento neurológico e físico.

As gorduras do leite contribuem para o desenvolvimento do cérebro e da visão, estimula o fortalecimento da musculatura orofacial pelo ato de sugar.

O ato de amamentar proporciona contato físico e aquecimento, reduz estresse dos filhotes e da mãe e favorece a socialização futura, evitando problemas comportamentais.

Nas primeiras 3 a 4 semanas, a alimentação deve ser exclusivamente com leite materno. A partir da 39ª a 49ª semana inicia-se a introdução gradual da alimentação sólida ou ração umedecida.

O desmame completo em cães é em torno de 6 a 8 semanas de idade e em gatos, em torno de 8 semanas de idade, mas alguns precisam até 10 semanas para transição tranquila.

É importante ressaltar que não devemos antecipar o desmame sem orientação médica. Filhotes desmamados precocemente têm maior risco de imunossupressão, atraso no crescimento, problemas gastrointestinais e comportamentais.

 

Pet Med - Como manter a higiene da região mamária e do ambiente onde estão a mãe e os filhotes, evitando infecções ou contaminações?

Ana Carolina Hoffmann - Para a higiene da mãe, na região mamária, a limpeza deve ser suave, se estiverem com leite acumulado, resíduos ou secreção, usar gazes ou algodão embebidos em água morna filtrada ou soro fisiológico.

Sempre evitar produtos agressivos, não usar álcool, cloro, desinfetantes, perfumes ou sabonetes comuns, pois podem irritar a pele e contaminar os filhotes durante a mamada. Após limpeza, secar bem com gaze ou toalha macia, nunca deixar úmido.

Para mãezinha com pêlos muito longos, pode-se tosar suavemente a região ao redor das mamas, para facilitar a pega dos filhotes e reduzir acúmulo de sujeira.

A higiene da região da genitália e corpo após o parto, onde pode haver secreção vaginal fisiológica por alguns dias, pode ser feita com lenços umedecidos veterinários, hipoalergênicos ou algodão com soro. Se tiver secreção em excesso, ou escura ou com odor, precisa de atenção veterinária.

Os banhos completos são indicados  quando a mãe estiver estável, em ambiente aquecido, com secagem imediata e sempre preferir shampoos neutros veterinários.

A higiene do ambiente, ninho e acessórios, é feita com a troca de forros, sempre usar panos, toalhas ou lençóis laváveis, trocar sempre que houver sujeira com leite, fezes ou urina (mínimo 1x/dia).

Manter o ambiente sempre seco e limpo, pois a umidade favorece fungos e bactérias.

A desinfecção do espaço do ninho deve ser semanalmente, lavando antes ou após sujar.

Os produtos recomendados são à base de Clorexidina 2% ou 4% (uso veterinário ou hospitalar), sendo seguros e eficazes, enxaguando bem depois.

Água e sabão neutro, o suficiente para a limpeza diária, seguido de secagem.

Evitar água sanitária, desinfetantes de uso humano com cheiro forte ou amônia, que podem intoxicar mãe e filhotes e causar rejeição pela mãe.

 

 

Pet Med - Em que casos o uso do Protetor de Fralda Pet Med pode ser útil durante o puerpério, especialmente em cadelas de pequeno porte que ainda não retomaram o controle urinário?

Ana Carolina Hoffmann - O protetor de fralda pet ou absorvente pode ser útil em situações específicas após o parto, principalmente em cadelas de pequeno porte. Sobretudo quando a mãezinha estiver com secreção vaginal fisiológica após o parto, quando é normal haver secreção vaginal esverdeada, amarronzada ou avermelhada por até 10 a 15 dias. A fralda ajuda a conter o fluxo, mantendo o ambiente e a cama secos e limpos.

Quando a mãezinha estiver com perda de urina ou incontinência urinária transitória que acomete algumas fêmeas, principalmente de pequeno porte, e podem apresentar diminuição do controle urinário nas primeiras semanas pós-parto, o uso do absorvente evita que o ninho ou a casa fiquem constantemente úmidos, reduzindo risco de infecções de pele e odores desagradáveis.

Em situações de deslocamento, como durante consultas veterinárias, viagens curtas ou quando a cadela precisa sair do ninho, o uso do protetor de fralda garante higiene e evita sujeira em locais externos.

O uso dos protetores da Pet Med também é ótimo no auxílio em casos de feridas ou pontos cirúrgicos, por exemplo a pós-cesariana, porque evita contato direto da secreção com o ambiente, reduzindo risco de contaminação da incisão.

Mas seu uso deve ser pontual e temporário, pois a cadela precisa de períodos sem fralda para ventilar a pele e evitar assaduras, logo, a fralda deve ser trocada com frequência, por no mínimo 3 a 4 x por dia, ou sempre que estiver úmida/suja e sempre higienizar a região genital e mamária com soro fisiológico ou lenços veterinários a cada troca.

Não usar se a cadela rejeitar ou se os filhotes tentarem sugar próximo à região, nesses casos, deve-se priorizar limpeza do ambiente ao invés do uso da fralda.

 

 

Pet Med  Para finalizarmos, qual é a mensagem geral do Agosto Dourado para os familiares a fim de dar suporte emocional e de saúde para a mãe, e também, para os filhotes?

Ana Carolina Hoffmann  A mensagem fundamental é a de que o aleitamento é vida e cuidado!

Neste momento tão especial, o maior gesto de amor que a família pode oferecer é garantir que a mãe esteja tranquila, saudável e acolhida. O leite materno é o primeiro alimento e o maior presente para os filhotes, pois, ele nutre, protege e fortalece. Por isso, apoiar a mãe, respeitar seu espaço, manter o ambiente calmo e oferecer carinho são atitudes que fazem toda a diferença. Cuidar da mãe é cuidar dos filhotes.

 

O Agosto Dourado nos lembra, ainda, que cada nascimento é único e merece ser vivido com amor, respeito e atenção.

Para além da amamentação, é fundamental que a família esteja atenta ao bem-estar da mãe e oferecer alimentação de qualidade, água fresca, um ambiente tranquilo e limpo, além de acompanhamento veterinário sempre que necessário.

O olhar atento da família pode salvar vidas e reconhecer sinais de dor, rejeição, dificuldade para amamentar ou alterações de comportamento são essenciais para que mãe e filhotes recebam o cuidado correto no tempo certo.

O puerpério é um período de grandes mudanças físicas e emocionais, e a mãe também precisa ser cuidada. Quando a família e o veterinário caminham juntos, garantimos saúde, afeto e um futuro mais forte para os filhotes.

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