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Nutrição como base: o papel da alimentação na saúde e na longevidade do pet

Nutrição como base: o papel da alimentação na saúde e na longevidade do pet

Por Pauline Machado

A alimentação exerce um papel muito mais amplo do que simplesmente fornecer energia ao organismo. Cada refeição representa uma oportunidade de oferecer os nutrientes necessários para o funcionamento adequado do sistema imunológico, da manutenção da saúde intestinal, para o equilíbrio metabólico e para a qualidade de vida do pet.

Ao lado da vacinação, do acompanhamento veterinário e da prática de atividades físicas, a nutrição é um dos pilares da medicina preventiva. Afinal, muitas das condições que comprometem a saúde ao longo da vida podem ter seu risco reduzido quando cães e gatos recebem uma alimentação equilibrada, individualizada e adequada à sua fase de vida.

Nesta entrevista, a Médica Veterinária, Bárbara Zurli, graduada em Nutrologia de Cães e Gatos, explica que, mais do que uma medida corretiva, a boa nutrição é um investimento diário em bem-estar e longevidade para os pets.

Acompanhe e compartilhe com amigos e familiares.

Pet Med - Por que a nutrição é considerada um dos principais pilares da medicina veterinária preventiva e qual o impacto desse cuidado ao longo da vida dos cães e gatos?

Bárbara Zurli - A nutrição é um dos principais pilares da medicina veterinária preventiva porque está diretamente relacionada ao funcionamento de praticamente todos os sistemas do organismo. Uma alimentação adequada fornece energia e nutrientes para manutenção dos tecidos, funcionamento do sistema imunológico, saúde intestinal, desenvolvimento, reprodução e manutenção da composição corporal.

Quando pensamos em prevenção, não devemos olhar para a alimentação apenas como algo necessário para tratar uma doença, mas como uma ferramenta para manter o animal saudável ao longo da vida. Uma nutrição adequada desde as primeiras fases pode contribuir para um crescimento equilibrado, manutenção do peso corporal, preservação da massa muscular e suporte às funções orgânicas durante o envelhecimento.

Pet Med - De que forma proteínas de alta qualidade, ácidos graxos essenciais, vitaminas, minerais e antioxidantes contribuem para o fortalecimento do sistema imunológico?

Bárbara Zurli - O sistema imunológico depende de uma oferta adequada e equilibrada de nutrientes. As proteínas fornecem aminoácidos essenciais para a formação e renovação de tecidos e para a produção de componentes envolvidos na resposta imune.

Os ácidos graxos essenciais participam da formação das membranas celulares e da modulação dos processos inflamatórios. Vitaminas e minerais atuam em diversas reações metabólicas e funções imunológicas, enquanto os antioxidantes ajudam a controlar o estresse oxidativo.

É importante destacar que não é simplesmente "quanto mais nutrientes, melhor". O equilíbrio e a adequação às necessidades daquele animal são fundamentais.

Pet Med - Qual é a relação entre a saúde intestinal, a microbiota e a imunidade de cães e gatos?

Bárbara Zurli - O intestino possui uma relação muito próxima com o sistema imunológico. A microbiota intestinal participa da digestão, da produção de metabólitos e da manutenção da barreira intestinal, além de interagir continuamente com as células do sistema imune.

Uma alimentação adequada pode favorecer uma microbiota mais equilibrada e a integridade da barreira intestinal. Isso é importante porque o intestino funciona como uma das principais interfaces entre o organismo e o ambiente externo. Portanto, cuidar da saúde intestinal também significa cuidar da resposta imunológica.

Pet Med - Quais mudanças positivas os tutores costumam perceber no dia a dia quando o animal recebe uma alimentação nutricionalmente adequada?

Algumas mudanças podem ser bastante perceptíveis, como melhora da qualidade das fezes, boa condição da pele e da pelagem, manutenção adequada do peso, disposição e melhor condição corporal.

Também podemos observar uma boa manutenção da massa muscular e, dependendo do caso, melhora de parâmetros relacionados a condições específicas. No entanto, também é importante lembrar que uma alimentação adequada não deve ser avaliada somente pelo que o familiar responsável consegue observar. O acompanhamento veterinário permite avaliar também parâmetros clínicos e laboratoriais.

Pet Med - Manter o peso corporal ideal vai muito além da estética. Quais benefícios esse cuidado traz para a saúde e para a longevidade dos animais?

Bárbara Zurli - O excesso de peso está relacionado a alterações metabólicas e a maior risco de diversos problemas de saúde. Além disso, o excesso de gordura pode favorecer um estado inflamatório persistente e aumentar a sobrecarga sobre articulações e outros sistemas. Manter uma condição corporal adequada ajuda a preservar a mobilidade, a qualidade de vida e a saúde metabólica. No longo prazo, o controle adequado do peso é uma das estratégias mais importantes dentro da medicina preventiva e pode contribuir para um envelhecimento mais saudável.

Pet Med - Como as necessidades nutricionais mudam entre as fases de filhote, adulto e sênior, e por que é importante adaptar a alimentação ao longo da vida?

Bárbara Zurli - Sim, as necessidades nutricionais acompanham as mudanças fisiológicas do animal. Filhotes estão em fase de crescimento e precisam de uma alimentação que forneça energia e nutrientes em quantidades e proporções adequadas para o desenvolvimento dos tecidos e do organismo. Na fase adulta, o objetivo passa principalmente pela manutenção da saúde e da composição corporal. Já no animal sênior, devemos considerar as alterações relacionadas ao envelhecimento, como mudanças na composição corporal, no metabolismo e nas necessidades de determinados nutrientes. Por isso, não existe uma única alimentação ideal para todas as fases da vida. A dieta deve acompanhar as necessidades do animal e ser reavaliada periodicamente.

Pet Med - Quais são os erros mais comuns na alimentação dos pets e quais consequências eles podem trazer, mesmo quando os sinais clínicos ainda não são evidentes?

Bárbara Zurli - Um dos erros mais comuns é oferecer uma quantidade de alimento maior do que a necessidade energética do animal, principalmente quando associamos a isso petiscos, alimentos extras e pouca atividade física. Também é comum trocar a alimentação constantemente sem necessidade, oferecer alimentos inadequados ou fazer dietas caseiras sem formulação e acompanhamento profissional. O problema é que os efeitos nem sempre aparecem imediatamente. O animal pode aparentemente estar saudável enquanto alterações de peso, composição corporal ou equilíbrio nutricional já estão acontecendo. Por isso, prevenção e o acompanhamento são tão importantes.

Pet Med - É correto afirmar que uma boa alimentação pode reduzir o risco de doenças associadas ao envelhecimento? Se sim, como isso acontece na prática?

Bárbara Zurli - Sim, desde que entendamos que alimentação não é garantia de que o animal não desenvolverá uma doença. A genética, o ambiente, o estilo de vida e outros fatores também influenciam. Na prática, uma alimentação adequada ajuda a manter o peso, preservar a massa muscular, fornecer nutrientes importantes para diferentes funções do organismo e evitar excessos ou deficiências nutricionais. Além disso, o acompanhamento nutricional permite adaptar a alimentação conforme o animal envelhece e conforme suas necessidades mudam. Essa abordagem preventiva pode contribuir para um envelhecimento mais saudável e para a manutenção da qualidade de vida.

Pet Med - Quais fatores o médico veterinário avalia para recomendar uma alimentação individualizada?

Bárbara Zurli - A recomendação nutricional deve considerar muito mais do que apenas idade e peso. Avaliamos espécie, fase da vida, porte, condição corporal, massa muscular, nível de atividade física, rotina, histórico alimentar, características individuais e, principalmente, o estado de saúde do animal. Também devemos considerar doenças diagnosticadas ou fatores de risco, exames laboratoriais quando necessários, uso de medicamentos e até a rotina do tutor, porque a melhor dieta também precisa ser viável para ser mantida corretamente. Por isso, a alimentação individualizada é uma decisão clínica e não simplesmente a escolha de uma ração pela embalagem.

Pet Med - Por fim, que orientação você daria aos familiares responsáveis para que enxerguem a alimentação não como uma medida adotada apenas diante de uma doença, mas como um cuidado contínuo capaz de promover saúde, bem-estar e longevidade?

Bárbara Zurli - Eu diria para os familiares pensarem na alimentação da mesma forma que pensamos em vacinação, acompanhamento veterinário e controle de peso: como parte da prevenção.

Não precisamos esperar o animal apresentar um problema para começar a cuidar da alimentação. O ideal é acompanhar as necessidades nutricionais desde filhote e fazer ajustes ao longo da vida. A nutrição é um cuidado diário e contínuo. Quando associamos uma alimentação adequada a acompanhamento veterinário, atividade física compatível com o animal, controle de peso, prevenção de doenças e um ambiente saudável, conseguimos construir uma estratégia muito mais completa para promover qualidade de vida e um envelhecimento saudável.

Por Pauline Machado, jornalista e médica veterinária, pós-graduada em Clínica Médica de Cães e Gatos e mestranda em Ciências Veterinárias na área de Saúde Única pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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