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Cuidado 360° na Oncologia: o bem-estar em casa completa o sucesso da cirurgia

Cuidado 360° na Oncologia: o bem-estar em casa completa o sucesso da cirurgia

Por Pauline Machado

Receber o diagnóstico de câncer em um pet é um grande desafio, mas a oncologia moderna nos ensina que este é o início de uma jornada de cuidado. Hoje, o foco não é apenas tratar a doença, mas garantir que o animal passe por todo o processo com o máximo de conforto e o mínimo de estresse possível. A cirurgia é uma etapa fundamental, mas a verdadeira recuperação acontece no dia a dia, dentro de casa, onde o carinho e o manejo correto fazem toda a diferença.

Nesse cuidado que chamamos de "360°", a proteção da cicatriz é uma prioridade. É por isso que o uso da roupa pós-cirúrgica é tão importante: ela funciona como uma barreira protetora que impede o pet de lamber ou mexer nos pontos. Diferente dos colares rígidos que costumam deixar os animais agitados e limitam seus movimentos, a roupa permite que ele continue comendo, dormindo e se movimentando com naturalidade, o que ajuda muito a manter a calma durante a cicatrização.

Ao escolher soluções que trazem conforto, como essas roupas de proteção, transformamos o pós-operatório em um período muito mais tranquilo para a família e para o paciente. Esse ciclo de cuidado, que começa no consultório e continua no aconchego do lar, garante que o pet se recupere com segurança e dignidade. Afinal, proteger a área operada sem causar estresse é a melhor forma de retribuir o vínculo e o amor que nossos companheiros nos dedicam.

Para conversar conosco sobre o tema, convidamos a médica veterinária Bruna Fernanda Firmo, Doutora e Mestre pelo Programa de Cirurgia Veterinária na área de Oncologia Veterinária – FCAV – UNESP “Júlio de Mesquita Filho” – Campus de Jaboticabal / SP, com especialização em Oncologia Veterinária pelo programa de pós graduação Lato Sensu – FAJ/IB – Botucatu / SP. É, também, professora na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FAMEZ) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) – Campo Grande /MS.

Acompanhe as orientações e ao final da leitura, compartilhe com seus amigos e familiares.

 

O Início da jornada e o diagnóstico

Pet Med - Quando falamos de câncer em pets, por que o "exame do carinho", ou seja, apalpar o pet em casa, é tão importante quanto as visitas ao veterinário?

Bruna Fernanda Firmo - O chamado “exame do carinho” tem grande valor pois permite a observação regular de anormalidades na pele e nas mamas, visto que, muitas vezes, os tumores em cães e gatos são detectados inicialmente por seus responsáveis e posteriormente levados ao médico veterinário para investigação diagnóstica e tratamento. Por outro lado, as visitas ao veterinário podem ocorrer anualmente por motivo de atualização vacinal, o que leva a detecção de alterações potencialmente malignas tardia. No contexto de tumores, o diagnóstico precoce impacta diretamente no prognóstico, permitindo intervenções menos invasivas e com maiores chances de controle da doença, enquanto o oposto, ou seja, o diagnóstico tardio, compromete o resultado do tratamento oncológico, diminuindo as chances de controle do câncer. Portanto, o carinho frequente do responsável pelo pet pode ser o detector de alterações, que só será uma vantagem quando complementado por uma avaliação clínica por um médico veterinário oncologista. 

 

Pet Med - Como os familiares podem preparar o ambiente da casa e o seu próprio emocional após o diagnóstico oncológico do pet?

Bruna Fernanda Firmo - Após o diagnóstico, é fundamental estruturar um ambiente atentando-se às adequações ou restrições orientadas pelo médico veterinário, diminuindo possíveis complicações da doença. De modo geral, é importante manter o ambiente calmo, limpo e confortável, reduzindo estímulos estressantes e facilitando o descanso e a recuperação do pet. Do ponto de vista emocional, esse preparo é igualmente importante, visto que os responsáveis por pets com câncer possuem necessidades específicas. Eles frequentemente vivenciam ansiedade, insegurança e necessidade de maior suporte emocional, o que reforça a importância de empatia e acolhimento. Nesse contexto, compreender que o câncer pode ser controlado com qualidade de vida e transmitir esta informação com objetividade para os familiares ajuda a transformar o impacto inicial do diagnóstico em cuidado, segurança e esperança. Em resumo, o cuidado começa no ambiente, mas se consolida na medida em que há ressignificação do diagnóstico.

 

Pet Med - Muitas vezes o câncer exige tratamentos longos. Como manter a qualidade de vida e a felicidade do pet durante esses meses de acompanhamento?

Bruna Fernanda Firmo - Em sequência à resposta anterior, é importante ter clareza de que a oncologia veterinária prioriza tanto a qualidade de vida quanto a sobrevida, considerando, em especial, que o paciente não tem entendimento racional da situação em que se encontra. Neste sentido, é importante proporcionar uma experiência agradável, na medida do possível, durante os exames e os tratamentos oncológicos. O médico veterinário deve compreender que, para atingir este objetivo, o tratamento vai além do que se refere ao controle ou eliminação do câncer, envolve o controle rigoroso da dor, a nutrição adequada e o menor estresse possível, garantindo que o paciente tenha qualidade de vida durante o tratamento.

 

O desafio do pós-operatório e da cicatrização

Pet Med - Por que a pele do paciente oncológico pode ser mais sensível ou ter uma cicatrização mais lenta do que a de um animal saudável?

Bruna Fernanda Firmo - Uma cirurgia oncológica envolve ressecção do tecido tumoral em conjunto com uma quantidade de tecido saudável Peri tumoral compreendendo a margem cirúrgica e, consequentemente, cria-se um desafio para o fechamento dessa ferida criada, necessitando de técnicas de alívio de tensão ou até mesmo, cirurgia reconstrutora. Por este motivo, são necessários maior atenção e cuidados no pós-operatório desses pacientes, evitando ou minimizando as complicações pós-cirúrgicas. Além disso, o paciente oncológico pode apresentar alterações metabólicas e inflamatórias, imunossupressão e um estado nutricional comprometido, que podem impactar negativamente a cicatrização, tornando a pele mais suscetível a complicações. Por fim, o tratamento oncológico pode retardar a cicatrização tecidual, como, por exemplo, a quimioterapia antineoplásica.

 

Pet Med - O perigo da lambedura: Quais são os riscos reais de uma inflamação nesse momento do não uso da roupa cirúrgica?

Bruna Fernanda Firmo - A lambedura excessiva pode levar a inflamação local, infecção bacteriana, deiscência de sutura e atraso na cicatrização. A saliva contém microrganismos que podem contaminar a ferida cirúrgica, além da agressão mecânica aos tecidos pela língua. Em pacientes oncológicos, esse risco é ainda mais relevante devido à possível redução da resposta imunológica tanto pelo câncer quanto pelo tratamento oncológico imunossupressor, como a quimioterapia antineoplásica.

 

Conforto além do "cone"

Pet Med - O colar elisabetano, também conhecido como cone costuma deixar os pets deprimidos ou estressados. Como o conforto de uma roupa protetora ajuda na saúde emocional do animal durante a recuperação, permitindo que o animal mantenha sua rotina — como comer, dormir e brincar — sem as limitações físicas de um colar rígido?

Bruna Fernanda Firmo - É compreensível que o colar elisabetano pode causar restrição de mobilidade, dificuldade para alimentação e, consequentemente, aumento de estresse. Porém, temos alternativas como o colar de material mais confortável (tecido) ou a alternativa da roupa cirúrgica protetora. No entanto, essa substituição deve ser acordada com o médico veterinário responsável, de acordo com o temperamento de cada paciente. Isso garante uma adequada recuperação, de forma mais tranquila e com menor nível de estresse tanto do paciente quanto do seu responsável.

 

Pet Med - Para um pet que já está enfrentando um câncer, o estresse pode baixar a imunidade? De que forma o bem-estar ajuda o corpo a lutar contra a doença?

Bruna Fernanda Firmo - Sim, o estresse crônico pode levar à liberação de cortisol, o famoso “hormônio do estresse”, que está associado à imunossupressão. Na oncologia, isso é relevante porque o sistema imune tem papel na vigilância tumoral. Portanto, reduzir estresse favorece a recuperação e a resposta ao tratamento.

 

Detalhes que fazem a diferença

Pet Med - Na oncologia, o uso de roupas de proteção não é apenas estético. Como a escolha de um tecido respirável e anatômico faz diferença na saúde da pele do pet, evitando que sujeiras do ambiente ou bactérias entrem em contato com a pele sensível do paciente?

Bruna Fernanda Firmo - Roupas de proteção, além de funcionarem como barreira contra contaminantes ambientais, como sujidades, também servem para proteção contra o sol, podendo ser apenas barreira física ou com proteção adicional contra raios ultravioleta. A escolha de tecidos adequados é importante porque tecidos respiráveis evitam a umidade da pele, reduzindo o risco de infecção, pois a umidade favorece a proliferação de fungos e bactérias na pele dos pets. Em pacientes oncológicos, é importante remover os estímulos potenciais carcinogênicos, como o sol, em relação ao câncer de pele e, além disso, a pele pode estar mais vulnerável, tornando esse cuidado ainda mais relevante. Falando muito além do paciente com câncer, é importante falar sobre como evitar que o pet desenvolva câncer, principalmente os mais susceptíveis que são os de pelagem clara e em áreas com pouca cobertura por pelos. A exposição solar intensa sem proteção pode estimular o aparecimento de câncer de pele em animais, assim como em humanos. A roupa de proteção e/ou protetor solar são indicados para prevenção, além de evitar o sol entre 10h e 16h, quando a intensidade dos raios ultravioleta está alta.

 

Pet Med - Muitos pacientes oncológicos perdem peso ou sentem mais frio. A roupa protetora pode servir também como um abraço térmico para esses animais mais frágeis? De que forma e como isso faz diferença no dia a dia do pós-operatório?

Bruna Fernanda Firmo - Sim, especialmente porque muitos pacientes apresentam perda de massa corporal, favorecendo o aparecimento de escaras de contato ou decúbito nas proeminências ósseas. A roupa pode atuar como um suporte, promovendo conforto e, o que favorece o bem estar.

 

Pet Med - Como a facilidade de vestir e ajustar a roupa ajuda o familiar a realizar os curativos diários de forma rápida e sem causar dor ou medo no pet?

Bruna Fernanda Firmo - Roupas de fácil ajuste reduzem o tempo de manipulação, facilitando a troca de curativos e diminuindo dor e estresse. Além disso, ajustes em regiões de grande movimentação como a axilar e inguinal (virilha) evitam a ocorrência de feridas por atrito da movimentação. Isso melhora a adesão do responsável ao tratamento e reduz experiências negativas para o paciente. 

 

O conceito 360° e o bem-estar contínuo

Pet Med - O que significa, na prática clínica, oferecer um "Cuidado 360°" para um paciente com câncer?

Bruna Fernanda Firmo - Na prática clínica, oferecer um "Cuidado 360°" para um paciente com câncer significa tratar o paciente e não apenas tratar a doença. Essa abordagem inclui, além do tratamento oncológico visando o controle câncer, o manejo da dor, o suporte nutricional, o bem-estar do paciente, incluindo o bem-estar emocional do núcleo familiar o qual o paciente compõe. É uma abordagem integrativa, centrada no paciente em um contexto de saúde única.

 

Pet Med - Como a segurança de saber que o pet está protegido e confortável em casa aumenta a confiança do tutor em seguir com todo o protocolo de tratamento?

Bruna Fernanda Firmo - O tratamento oncológico preconiza o bem estar do paciente, entretanto, frequentemente requer tratamentos agressivos para combater o câncer. Um exemplo frequente é o tratamento cirúrgico, quando é necessário remover parte funcional ou quando há prejuízo estético ao animal, como em uma amputação de membro. No entanto, é importante o entendimento de que o câncer já está acometendo aquele tecido e, além de inutilizá-lo, promove dor ou outras consequências. Quando o responsável percebe que o animal está confortável e com boa qualidade de vida após o tratamento, aumenta a chance em seguir com demais etapas do planejamento terapêutico do câncer. Muitas vezes depoimentos de pessoas que já passaram por este momento de decisão e que, após o tratamento, notaram que foi melhor para seu pet, podem ajudar o responsável pelo pet a tomar uma decisão com mais segurança e confiança, pois sempre haverá riscos.

 

Pet Med  Qual legado o manejo oncológico moderno nos deixa sobre a importância de tratar o pet com olhar 360º e maior conforto possível?

Bruna Fernanda Firmo - A oncologia veterinária moderna caminha em direção a um tratamento individualizado e personalizado. Nesta abordagem, o médico veterinário deve considerar, além de características do tumor, fatores relacionados a possíveis comorbidades do paciente (muitas vezes já idoso) e ao seu responsável.

Concluindo, a principal lição é que tratar o câncer em animais não é apenas combater as células tumorais, mas cuidar do paciente e do seu núcleo familiar.

 

Pet Med - Por fim, se achar necessário, use o espaço abaixo para complementar a sua participação acrescentando outras informações que entenda como importantes e não tenham sido abordadas durante a entrevista.

Bruna Fernanda Firmo - Para permitir que o médico veterinário estabeleça uma conduta verdadeiramente individualizada, é fundamental que sua tomada de decisão esteja ancorada na avaliação de fatores prognósticos e preditivos. Os fatores prognósticos estão relacionados à evolução natural da doença (como tipo histológico, grau tumoral, estadiamento clínico, presença de metástases e condições gerais do paciente), enquanto os fatores preditivos indicam a probabilidade de resposta a determinadas terapias, orientando a escolha do protocolo mais adequado (como o uso de inibidores de tirosina quinase em quimioterapia antineoplásica). Essa abordagem permite não apenas estimar a sobrevida, mas principalmente equilibrar a eficácia terapêutica e a qualidade de vida. Além disso, a percepção e a expectativa dos responsáveis pelos animais também influenciam diretamente na adesão do tratamento.

Um ponto importante é que, conforme discutido, muitos pacientes oncológicos podem viver por longos períodos com qualidade de vida quando o tratamento é bem conduzido.

Experiência familiar

As orientações técnicas da Dra. Bruna Fernanda Firmo reforçam que o sucesso da oncologia moderna depende desse olhar atento a cada detalhe do pós-operatório. Esse cuidado especializado se materializa no dia a dia de quem vivencia a rotina de recuperação, consolidando o impacto real do 'Cuidado 360°.

Para ilustrar como essa teoria se aplica na prática, conversamos com Agnes Granero, familiar responsável pela Olívia Palito, uma cadelinha de 7 anos que enfrentou a retirada de um mastocitoma cutâneo.

Agnes compartilha como a escolha por uma proteção que prioriza o conforto — substituindo o estresse do colar rígido pela segurança da roupa pós-cirúrgica da Pet Med, transformou um momento de fragilidade em uma recuperação segura, funcional e com muito mais serenidade para toda a família. Confira abaixo o depoimento.

Adaptação nos primeiros dias

A adaptação foi muito tranquila, pois ela já está acostumada a usar roupas. A roupa ajudou a proteger o local da cirurgia, impedindo o acesso direto à região operada e evitando lambeduras ou possíveis trações nos pontos, o que trouxe mais segurança durante a recuperação. Ao mesmo tempo, permitiu que ela mantivesse a rotina normalmente — fazendo cocô, xixi, se alimentando e descansando com conforto.

Autonomia no dia a dia

Como responsável, isso traz uma sensação enorme de alívio. Ver que ela estava confortável, sem demonstrar incômodo e conseguindo seguir com as atividades do dia a dia mesmo após a cirurgia trouxe muita tranquilidade durante o pós-operatório.

A roupa ajudou não só na proteção da ferida, mas também deixou esse momento mais leve para toda a família, porque quando vemos o pet bem, ativo e sem desconforto, a recuperação acaba sendo muito mais tranquila para todos.

Tranquilidade da família

Ela já tinha utilizado a Roupa protetora e pós cirurgias da Pet Med quando ela castrou, então já sabíamos que a roupa é um item que traz mais segurança e conforto nesse momento de recuperação, não ficamos preocupados.

O momento do cuidado

Foi super tranquilo fazer o manejo em casa, durou apenas 10 dias. A roupa é fácil de vestir e retirar, o que facilitou na hora de checar a cicatriz e realizar os cuidados necessários sem causar estresse. Além disso, o tecido de secagem rápida tornou as trocas e a higienização muito mais práticas no dia a dia, mantendo a região mais seca e confortável. Isso traz mais segurança, mostrando que não é apenas uma roupa cirúrgica, mas um produto pensado para facilitar o cuidado durante a recuperação!

Percepção geral

Foi muito importante essa escolha como parte do protocolo pós-cirúrgico, pois, eu acredito que o uso da roupa protetora vai além da proteção. Ela traz mais conforto, qualidade de vida e bem estar ao pet, e com isso, traz mais praticidade e menos preocupação para o responsável, porque todos sabemos que quando nossos pets passam por qualquer procedimento cirúrgico, ficamos aflitos, pois queremos que a recuperação deles seja tranquila, que não tenha nenhuma intercorrência.

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